Aula de cozinha

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Cozinhar, comer, escrever até o infinito. Foto: Luciana Mastrorosa/Guloseima

Este ano, o Guloseima completou, em abril, sete anos de existência. Sete, o número cabalístico, das notas musicais às cores do arco-íris. Sete, o número da sorte. Daí que, nessa quase uma década de vida, um monte de coisa aconteceu por aqui. Não precisava lembrar, mas eu vou lembrar, porque acho que faz parte.

O Guloseima foi minha primeira tentativa concreta de escrever sobre gastronomia, sobre os sabores que eu provava, aromas que sentia, e que precisava passar para o papel – mimetizado na tela em branco do computador. E daí para as muitas telas, em branco ou coloridas, de notebooks, smartphones, tablets e todos esses acessórios que a gente usa com tanta naturalidade que nem parece que, ainda ontem, nos aboletávamos no sofá com um telefone pesadíssimo no colo, rodando os números num disco sobre o aparelho…

Parece que foi ontem, mas já faz tempo. E, de lá para cá, desde que tudo começou aqui neste blog, escrevi para muitas revistas e sites, dei aulas de jornalismo gastronômico, publiquei um livro de receitas, cozinhei para os amigos, estudei, estudei, degustei, degustei, e sigo escrevendo. Profissionalmente e por gosto, e isso se confunde tantas vezes que basta dizer que adoro o que faço na Prazeres da Mesa, assim como adoro o que faço aqui, neste espaço que é só meu.

E foi justamente este espaço que me ajudou a derivar meu amor eterno pela gastronomia para outros patamares: comecei a dar aulas de cozinha. “Aula de cozinha para principiantes”, assim batizei meu curso, que tem o objetivo simples de ajudar as pessoas a cozinhar para viver melhor. Por que isso? Porque, para mim, cozinhar é tão natural, e me faz tão bem, que sofro ao ver amigos se digladiando com as panelas. Especialmente agora, em que tantos conhecidos e amigos estão tendo filhos e, por consequência, deparando-se com a inevitável realidade: quem vai cozinhar para os pequenos?

Não vou, aqui, entrar em debate sobre o poder do dinheiro e suas vantagens, do tipo: “ah, coloca na escolinha A, B ou C, que inclui almoço”; “ah, paga uma babá que cozinhe”, “ah, ZZzzzzz”. Isso eu deixo para cada um escolher, de acordo com sua situação econômica. O meu objetivo é outro: é fazer você, querido leitor, descobrir que é possível cozinhar receitas simples e deliciosas naquela cozinha diminuta do seu apartamento. Enquanto não tiver um espaço para acomodar vários alunos numa mesma sala, opto por dar aulas particulares na casa do aluno, em módulos, de acordo com o interesse de cada um. Mais personalizado, impossível. Pense numa aula divertida, na sua cozinha, com os seus utensílios e ingredientes, almoço pronto no final de tudo? Muito legal.

Mês passado foi minha primeira experiência e fiquei cheia de orgulho ao ver as duas primeiras alunas com brilho nos olhos de descobrir a maneira correta de segurar a faca, de observar pequenos truques para temperar a rotina, as panelas de todo dia.

Agora, entre um compromisso e outro, uma pauta e outra, dou aulas de cozinha para principiantes. Garanto que o preço é justo. Aos interessados, ficarei felicíssima de receber seus e-mails de contato em guloseimacom (arroba) gmail (ponto) com. Se preferir, entre em contato comigo nos comentários do blog ou na nossa fanpage no Facebook: http://www.facebook.com/GuloseimaBlog

E bora lá fazer aquela sopa deliciosa de abóbora, um risotinho para estas noites frias ou esta perdição para a sobremesa: shortbread de caramelo e chocolate.

Hautes Études du Goût – meu curso francês

Sparkling Eiffel Tower

Um monte de gente tem me perguntado: afinal, o que é que a senhora foi fazer na França, além de se divertir?

Pois bem, eu fui estudar. Com um prazer absurdo, é claro, mas eu fui es-tu-dar.

Explico. Desde 2008, quando concluí o Curso Objetivo Chef, na Wilma Kovesi, eu queria fazer este curso. Foram quase dois anos de empenho, mas consegui.

O curso se chama Hautes Études du Goût (em uma tradição literal, “altos estudos do gosto”), e é oferecido em parceria entre a tradicional escola de culinária francesa Le Cordon Bleu e a Universidade de Reims. Na França, claro.

Basicamente, o curso se divide em duas semanas. Na primeira, em Paris, frequentamos a sala de aula do Cordon Bleu, e – aqui preciso dizer – foi uma emoção imensa. Mas, assim, IMENSA mesmo, andar por aqueles corredores cheirando a comida, vendo os alunos vestidos com seus dólmans respingados de molho, e os professores ali, ensinando as técnicas mais incríveis de cozinha, como era feito desde a época de Julia Child, desde antes. Lágrimas nos olhos no primeiro e no último dia. E muitas risadas no meio…

Le Cordon Bleu

Nesta primeira semana, tive aula com gente incrível, como Hervé This – que esteve recentemente no Brasil – Claude Fischler e outros grandes nomes da história, sociologia, antropologia, psicologia e ciência da gastronomia e da alimentação. A programação era intensa: de manhã, acordar e ir para a aula. Depois, almoçar com a turma no restaurante determinado pelo curso (vinho todo dia, bien sûr) e, de tarde, mais aula. À noite tínhamos jantares pedagógicos – como um jantar medieval ou o jantar molecular criado por Hervé This, ou jantares simples em restaurantes também determinados pelo curso. Raros momentos sem nada pra fazer.

Abaixo, monsieur Hervé This:

Paris

Sibel Pinto, ex-aluna Cordon Bleu, preparou um jantar com acepipes turcos para nosso primeiro jantar do curso:

Paris

E o jantar foi harmonizado com cervejas:

Paris

Foi durante esta semana em Paris que conhecemos o mercado noturno de Rungis, uma madrugada inteira, gelada, visitando setores de carnes, verduras, legumes, queijos – só esta visita já merece um post. Falarei sobre ela outro dia.

Na segunda semana, seguimos a caminho de Reims, na região de Champagne, para mais aulas teóricas, almoços simpáticos e jantares pedagógicos quase todos os dias. Provamos foie gras, cogumelos da estação (e eles estavam no auge, posso dizer), além de vinhos e champanhes incríveis.

Quase não tínhamos tempo livre, mas usamos cada micro segundo para aproveitar a França. E olha, vou dizer: aproveitamos.

A turma era variada: orientais, norte-americanos, sul-americanos, canadenses, australianos, franceses. Claro que meu grupo mais próximo era composto, basicamente, pelos orientais e latinos, com exceção de um americano, que afeiçoou-se aos terceiro-mundistas e conosco ficou. Todos os dias, depois das aulas, nos reuníamos para beber alguma coisa e conversar no nosso inglês meio esquisito, mas que funcionou perfeitamente.

Depois das duas semanas intensas de curso, comilança, risos e diversão, decidi ficar mais uma semana na França para partir com alguns dos novos amigos para a Normandia. Mas esta história fica para outro dia.

Esta foto abaixo, assim como a que abre este post, foram tiradas no terraço do sétimo andar do Novotel, em Paris, onde ficamos hospedados durante nossa estadia parisiense. Da varanda, podíamos avistar a torre enquanto tomávamos um drinque juntos: vinhos, cervejas e Jack & Coke, que tornou-se a bebida oficial do grupo. Sim, estávamos na França. Mas, sim, tomamos uísque americano todo dia. Amigos, né?

Eiffel Tower

Missão cumprida!

Acabo de chegar em casa, depois de um compromisso muito interessante: dei aula de jornalismo gastronômico online para a primeira turma do curso de Jornalismo Gastronômico do Senac.

Foram mais de 3 horas de conversa boa, com uma turma super atenta e participativa. Adorei!

Espero que eles tenham curtido também, e que se animem a escrever mais sobre a gastronomia, este assunto delicioso que sempre rende discussões ótimas e apaixonadas.

🙂

(E sempre que vou ao Senac Santo Amaro me dou conta de como aquele campus é lindo! Fosse um pouquinho só mais acessível, seria perfeito. Mas, ainda assim, é um lugar muito agradável. Chegar lá depois de enfrentar a chuva e o caos no transporte público hoje foi como chegar ao oásis. E valeu a pena o esforço. Muito!)

Fim da jornada

E hoje, amigos, termina, depois de um ano de muitas conquistas e aprendizados, o incrível curso de chef de cozinha que comecei em fevereiro, na Escola Wilma Kovesi.

A última aula é de “cozinha de criação”: os alunos poderão criar o prato que desejarem, a partir dos ingredientes fornecidos pela escola. Ou seja: vai ser uma grande festa!

Para incrementar, vamos levar bebidas para acompanhar os pratos. Não faço idéia do que vai ter de ingrediente, o que sempre dá uma certa insegurança. Mas a idéia é mesmo de festa, diversão e, claro, aplicação dos conhecimentos aprendidos.

Já bateu uma saudade, logo cedo… Até sonhei com a última aula! Mas não é momento de ficar triste, não, mas de celebrar. Porque foi um curso (e um ano) muito, muito bom.