Sem água

Sem água

Água: economizar é para já. Foto: Luciana Mastrorosa/ Guloseima

A sombra de um futuro complicado tem me tirado o fôlego já há alguns meses. Acredito que todos nós, moradores de São Paulo, nos fazemos diariamente a fatídica pergunta: O que vai acontecer se a água secar de vez? Mais

A despensa da intolerante

A despensa da intolerante

Já contei aqui que descobri recentemente ser intolerante à lactose. O primeiro passo foi (parar de chorar e) adaptar as comidinhas do dia a dia. O café da manhã, o almoço na rua, os jantares em casa. Foi assim que descobri que costumava cozinhar com um monte de produtos lácteos, apesar de não tomar leite puro há anos. Era um chocolate para brownie aqui, um filé na manteiga ali, tortas amanteigadas, queijos em abundância no macarrão… Assim, amigos, não tem jeito: para quem é top intolerante, como eu, a conta sai cara para a saúde. Mas como é que eu ia saber, né? Mais de uma década me tratando em gastros e afins e só o meu médico atual pediu o exame de lactose…

Mas enfim. Daí que a fase dois consiste em fazer a limpa na despensa, ou seja, usar (e doar) tudo aquilo que eu comia outrora, mas que a partir de agora só fazendo uso de lactase, e olhe lá! Remexendo a despensa/geladeira, descobri pacotes fechados de manteiga, barras de chocolate, misturas prontas para cookies/panquecas com lactose na receita, creme de leite, leite condensado, docinhos à base de leite, litros de leite de cabra, etc. Tudo delicioso mas, por ora, proibido. Alguns – como os leites de cabra – eu vou aproveitar para fazer kefir. Estou pesquisando o consumo desse leite fermentado caseiro por quem tem intolerância à lactose, se funcionar, conto aqui. Mas, adiantando, o kefir é um leite fermentado com teores muito baixos de lactose, além de conter enzimas que ajudam a quebrar esse açúcar restante. Se funcionar, será lindo. Se não funcionar, vou fazer kefir de água e ser feliz do mesmo jeito – o que importa é dar aquela força probiótica ao organismo, em forma de uma bebida refrescante e agradável.

A falta que o chocolate faz…

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Chocolates sem lactose: a busca continua. Foto: Luciana Mastrorosa/Guloseima


Incrível como cada um sente falta específica de alguma comida ao descobrir a IL (já estou até íntima do termo, ai, ai). Lendo blogs de outros intolerantes, como este aqui, descubro que alguns sofreram por deixar de consumir o leite puro, outros sentem falta de pizza cheia de queijos, de molho branco. Para mim, o difícil DE VERDADE é deixar de comer chocolate. Chocolate bom, daqueles que derretem na boca, daqueles feitos apenas com cacau, manteiga de cacau, um mínimo de açúcar. E olha: eu sempre adorei qualquer tipo de chocolate, e os amargos eram top favoritos. Mas, para minha tristeza, até as marcas premium tipo Callebaut e Lindt fazem chocolates beeeem amargos, só que com o aviso inevitável de “pode conter traços de leite”.

Para amenizar as primeiras semanas de adaptação, foquei em encontrar apenas chocolates sem lactose, feitos de soja ou com enzima adicionada. Nova surpresa: a maioria é adoçada com edulcorantes artificiais. A intolerância à lactose causa, como um dos principais sintomas, diarréia. E esses adoçantes podem soltar o intestino, então… Não se pode abusar.

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Tablete Zero Lactose, da Cacau Show: campeão até agora. Foto: Luciana Mastrorosa/Guloseima

Agora voltando às descobertas: um chocolate sem lactose de fato me agradou 100%, uma barra meio amarga, de chocolate puro, pouco doce, sem edulcorantes. Essa barra de chocolate faz parte da linha Zero da Cacau Show, pode ser encontrada nas lojas da marca e custa menos de 10 reais uma barra de 100 gramas (em São Paulo, paguei 8,90 reais). Achei justo e me emocionei de verdade. A atendente foi super simpática e me avisou que eles fazem também língua de gato sem lactose – só não tinham naquele dia porque, segundo ela, a “procura é muito grande.” Ah, esses tabletes da Cacau Show também não têm glúten.

Também provei o chocolate da Nestlé Classic zero açúcar, zero lactose (o preço é bom: 2,30 reais) com bom sabor do cacau, mordida ótima, mas um pouco de sabor residual de adoçante. É para aqueles dias que queremos um chocolate bem amarguinho, do jeito que eu gosto. No dia a dia, os chocolates ChocoSoy, da Olvebra, quebram um galho, mas muitos também têm os edulcorantes artificiais, então prefiro evitar. As bolinhas crocantes dessa linha são boas.

Antes que alguém me acuse de chata, eu explico a minha implicância com os adoçantes artificiais: descobrir a IL aos 34 anos me rendeu uma gastrite e uma colite ulcerativa que já duram 12 anos. Sim, mais de uma década. Por isso, dou um VIVA! às marcas que comercializam produtos especiais com o mínimo de interferência possível. Aqui, vale mencionar que também amo café, mas tenho de tomar essa bebida com cuidado, apenas os melhores e mais bem manipulados, especialmente os arábicas. Agradeço, então, publicamente, às empresas de café especial que fazem excelentes produtos, descafeinados ou não. A Nespresso está de parabéns pelo Decaffeinato, a cápsula vermelhinha não sai mais da minha despensa. Também adoro os cafés da Isabela Raposeiras, do Coffee Lab, sempre cuidadosamente torrados para extrair o melhor em aroma e sabor.

E assim vamos nós, vivendo e aprendendo.

* Em tempo: se você tiver dicas de chocolates sem lactose, fique à vontade para deixar um comentário ou mandar um email. Ficarei grata de trocar figurinhas com outros IL pelo mundo. :)

* Em tempo 2: este post NÃO é um publieditorial. Faço resenhas de produtos que compro e meus comentários servem apenas ao propósito de trocar informações sobre eles. Vale lembrar que qualquer opinião expressa neste blog NÃO invalida uma consulta com profissional especializado. Na dúvida, procure sempre um médico ou nutricionista.

Simplicidade

Simplicidade

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Eu falo de comida o tempo todo, gosto de comer, escrevo sobre isso e me considero afortunada por poder passar 24 horas por dia, literalmente, me dedicando ao assunto. E o Guloseima, claro, faz parte desse espaço que eu venho construindo, passo a passo, desde que tomei a sábia decisão de trabalhar exclusivamente com gastronomia – jornalismo e literatura incluídos nesse panteão.

Mas acontece que a gente vai engatando uma coisa na outra e a correria é tão imensa que às vezes a gente esquece do essencial, da simplicidade da coisa. Eis que hoje, finalmente, faço o que gosto em termos de profissão, mas tenho estranhamente me sentido fatigada, vazia mesmo, sem nada o que dizer a respeito daquilo que mais amo: comida. É como o Héctor Abad escreveu em seu lindo Livro de receitas para mulheres tristes, publicado pela Cia das Letras: “Só os bons poetas nos curam do fastio de palavras. Só a comida simples e essencial nos cura da saturação da gula.”

Simplicidade. Quando a mente cansa dos rituais, quando o corpo pede uma pausa, meu conforto está no silêncio, na paz, no simples. Mesmo com essa consciência, me deparei ocupando os pensamentos e o coração com questionamentos do tipo “O que posso fazer hoje para me divertir? Como posso descansar a mente tão fatigada?”, num dos poucos fins de semana em que não tinha compromissos a cumprir, ninguém doente (thank God) e nada pedindo minha presença, julgamento ou decisão urgentes. Alívio pelo tempo livre, susto por não saber como ocupá-lo.

Decidi ir ao cinema, paixão das antigas. Fui cedo, mas São Paulo sempre me surpreende: sessões estavam lotadas. Com fome e absolutamente enfastiada com as multidões que caminhavam na Paulista, afluíam aos cinemas e se debatiam em filas para comer nos cafés e restaurantes, abracei a simplicidade: queria voltar para casa, e rápido, para comer a minha comida, feita por mim e para mim.

Primeiro, brigadeiros: uma caixinha com quatro unidades, nos sabores tradicional, amargo, pistache e doce de leite. Depois, mercado: salmão defumado, queijo feta, e baguete estalando de tão fresca na padaria fofa que abriu aqui do lado.

Que sensação deliciosa voltar para casa! Sacola de compras, pão debaixo do braço, meu bairro me abraçando com seus mercadinhos, as pessoas felizes nos botecos, o céu cinza que convidava a ficar no sofá.

Assim improvisei meu almoço, um sanduíche simples acompanhado de uma taça de vinho. Saladinha de alface-catalônia orgânica, limão siciliano, sal, pimenta, queijo feita, azeitonas, tomatinhos. Uma versão da sempre benvinda salada grega. No pão, um ovo poché perfeito, cozido na água com vinagre de sidra, mais azeite, salmão defumado, gotinhas de limão e a pimenta moída na hora.

À taça de vinho, seguiu-se o espresso com os brigadeiros artesanais. E uma tarde de sábado simples, um pouco introspectiva, talvez, mas com aquela certeza tranquila de que não é errado precisar de descanso e paz  para acomodar melhor com as nossas mais loucas paixões.

Bolo gringo

Bolo gringo

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No começo do ano, ganhei uma massa de bolo norte-americana, cheirosa e macia, daquelas misturas prontas que produzem bolos de maneira prática, bastando acrescentar ovos, manteiga e leite. Uma massa texana, Sweet Cream Cake Mix (da San Antonio River Mill Brand), que, ainda dentro da embalagem, já exibia seu aroma delicioso de creme e baunilha.

Fato é que resolvi testá-la apenas hoje, um dia frio daqueles, feriado em São Paulo, com uma gripe ameaçando me derrubar. Como se vê, demorei meses até ter coragem de assar o bolo gringo, esperando pelo momento especial. Tenho muito disso, é uma mania que me acompanha desde criança: esperar o momento “especial” para comer tal guloseima, ou preparar tal prato. Às vezes tem uma certa utilidade, como quando recebo visitas inesperadas e tenho alguma coisinha gostosa para colocar à mesa. No mais das vezes, porém, é apenas bobagem minha, que já me rendeu a perda de muito ingrediente bom por simples… esquecimento.

Mas hoje, não. Decidida a não me deixar vencer pela gripe e pelas mesquinharias da vida, resolvi assar o bolo gringo para ver no que é que daria. Primeiro, o mais importante: converter aquelas medidas estranhas – onças, libras, fahrenheit – para o nosso amado sistema métrico de todo dia. Daí que 6 onças (oz) viraram 170 g de manteiga, e 300 graus F viraram, bem, o forno mais baixo possível, já que meu fogão só permite, como temperatura mínima, 180 a 200 graus Celsius, um pouquinho acima dos 170oC pedidos na conversão.

Divertido! Em seguida, o desafio de achar a forma certa: a embalagem (um lindo saquinho de pano, com o logotipo da marca e a receitinha no verso) informava ser necessário uma forma de bolo com furo no meio, grande, untada apenas com óleo. Só tenho formas pequenas (shame on me), então tive que improvisar.

Batendo a massa, logo percebi que a intenção é que o meu Sweet Cream Cake ficasse muito, muito macio. Mas haja batedeira! A massa, cremosa e amanteigada, virou rapidamente um creme denso, espesso, gordo – manteiga para tudo o que foi lado!

Só que eu não tenho uma Kitchen Aid para me ajudar nessas horas, então… O resultado foi uma batedeira quase arriando, enquanto eu ajudava, manualmente, a empurrar a massa para as pás que giravam e giravam, esforçadas, quase inúteis.

Depois de devidamente batida, a surpresa: era MUITA massa. Muita mesmo! Usei então duas formas de pão pequenas, uma forma de cupcakes (com capacidade para 6 unidades), mais uma forma pequena de bolo, com furo no meio. E paguei para ver.

Forno baixo, todas as formas juntinhas, e a o fogo começou a fazer sua mágica: depois de alguns minutos, a casa ganhou um perfume delicioso. Creme, manteiga, açúcar, ovos, leite, baunilha… Tudo junto e misturado, aquecendo a minha cozinha tão fria.

Depois de assados, a surpresa: aquela massa pesadona e rica transformou-se em bolos macios e delicados, de crosta crocante e interior fofinho, doces na medida certa, sem exagero para nenhum dos lados. Nada de gordura sobrando, nem cheiro de ovo, nem açúcar demais. No ponto, perfeita, a massa certa para um dia como hoje.

Como é um bolo básico, deve ficar uma delícia com acompanhamentos do tipo geleias, marshmallow, ganache meio amarga, caldinha de limão… O meu deve ganhar dois dedinhos de doce de leite Lapataia, que outro amigo me trouxe como lembrança – e é divino para bolinhos assim.

Para acompanhar, um bom café feito na french press, para beber com calma junto com meu bolo gringo – aliás, texano, para mandar todos os meus preconceitos pelo ralo. E eu que achava que a América só tinha mesmo era hambúrguer, Coca-cola e algumas cervejas.

Olha a minha massa aqui!

Amigos, não se acanhem: na próxima visita ao Texas, podem trazer essa e outras misturas deliciosas para assar. E não esqueçam de mim! ;)

Manias locais

Manias locais

Por Tatiana Barros

Este final de semana fui conhecer um local chamado Evergreen Brickworks. Para ser honesta, não entendo muito o conceito do Evergreen, ainda mais vindo de São Paulo. Mas vamos lá. Eles se consideram uma “Comunidade ambiental  em larga escala”, OPA!

Os canadenses são bastante protecionistas, tudo deve ser local e tudo tem que ser “green”.  Grandes marcas internacionais como Johnson & Johnson e Nabisco por exemplo, ganham nomes diferentes para uma identidade mais local aos produtos.

À primeira vista, o Evergreen Brickworks nada mais é do que uma fábrica de tijolos antiga transformada em um espaço para a comunidade passar o tempo e comprar produtos locais. Olhando um pouco mais de perto, Evergreen é uma caridade que incentiva as comunidades a criar ambientes sustentáveis em centros urbanos.

O Projeto Evergreen é tão “verde” que no website você só encontra instruções de como chegar a pé, de ônibus ou bicicleta. Eles promovem educação sobre o meio ambiente e como se tormar uma pessoa mais “green”, criando projetos sustentáveis em escolas, parques e comunidades por todo o Canadá.  Além desses programas, o projeto Evergreen também possui workshops, aulas de culinária e o famoso “Farmer’s Market”, onde fazendeiros da região se reúnem para vender produtos de suas fazendas, desde frutas e vegetais até carnes e queijos.

Em outra sessão fica o “Garden’s Market” com plantas nativas e importadas com produtos orgânicos, casinhas para animais, como pássaros, borboletas e afins e ferramentas para jardinagem.

Para completar, o Evergreen Brickworks conta com um restaurante do Chef Brad Long, uma celebridade em Toronto, com vários restaurantes espalhados pela cidade e inúmeros prêmios de culinária. Ele também participou de uma das temporadas de um programa de televisão chamado “Restaurant Makeover” no canal Food Network.

O Cafe Belong deixa um pouco a desejar em minha opinião. Com todas essas coisas no currículo, eu imaginava menus mais criativos. O lugar é gostoso e aconchegante e o atendimento é muito bom, mas a comida não apresenta nada de diferente. Se posso fazer alguma sugestão, recomendo explorar as comidinhas das barraquinhas presentes no Farmer’s Market.

Como fui visitar durante o inverno, as opções estavam limitadas, Na área do jardim, onde normalmente ficam várias barraquinhas com produtos variados e artistas locais animando o pessoal, havia uma pista de gelo para famílias se divertirem andando de patins. Além da pista de patinação, havia 2 pavilhões. No primeiro, ficavam os vendedores com todos os tipos de comida incluindo legumes e vegetais, frutas, grãos, pães, carnes e peixes. No segundo, ficava a área reservada para vendedores de comidinhas prontas para beliscar. Waffles, sanduíches, quesadillas, crepes, sopas e muito mais. O Cafe Belong fica nesse segundo pavilhão.

Para quem está em Toronto, recomendo o passeio. Um lugar agradável e diferente para começar o dia e ficar para o almoço.

Evergreen Brickworks
550 Bayview Avenue, Toronto, ON  M4W 3X8 Canada
Tel: 416-596-7670

Num mercado canadense

Num mercado canadense

Por Tatiana Barros

Este final de semana fui conhecer a nova loja do Loblaws, o Loblaws 60 uma rede de supermercados de Toronto que pode ser comparada com a rede Pão de Açúcar em tamanho. Fui curiosa conhecer a nova loja porque ela fica no antigo Maple Leaf Gardens, o estádio oficial do Maple Leafs (time de Hockey de Toronto). Como vocês podem imaginar, o lugar é enorme e a transformação ficou maravilhosa.

Em minha humilde opinião, prefiro mil vezes um mercado gigantesco a uma arena de hockey . O Loblaws 60 conta com serviços, produtos e infra-instrutura diferenciadas. Esta é a única loja que eu conheço por aqui com tudo em um mesmo local – com qualidade excelente e preço acessível.

Aos sábados, logo na entrada do mercado fica uma banda tocando músicas pop, rock e funk (não o carioca!). A primeira visão do mercado é um pouco confusa, ele não é organizado como os mercados tradicionais, mas sim em “stations” – seções como doces, vegetais e frutas, frios, carnes, pães, até mesmo uma área especial para cogumelos e outra para produtos japoneses.

As duas coisas que mais me impressionaram nesta parte do mercado foi a área dos chás (que é uma das minhas bebidas favoritas), com produtos vindos diretamente da China e arredores, com alta qualidade, podendo custar até 700 dólares o quilo! A outra coisa foi a parede de queijo. Sim, queijos de todos os tipos, vindos de todas as partes do mundo, do chão ao teto! Além de interessante, faz um efeito visual super legal.

A área de doces merece destaque também: mesmo eu não sendo muito maluca por doces, quase estacionei meu carrinho permanentemente por lá. Doces de todos os tipos e variações e tudo feito lá mesmo.

Passando por toda esta área com as “stations”, aí sim temos as gôndolas normais com produtos gerais encontrados em qualquer mercado. Mas, entre uma e outra, encontramos produtos complementares, de utensílios domésticos a livros e revistas de receitas.

Existe também uma área com comida preparada na hora, onde podemos sentar e comer apreciando todas as cores deste mercado incrível. E finalmente, no segundo andar, funciona uma escola de culinária com cursos rápidos e eventos com chefs famosos.

Para quem vier visitar Toronto ou para quem já mora por aqui, recomendo ir passear no Loblaws 60. Consegui passar a tarde inteira lá me divertindo. Deixo abaixo as informações do mercado incluindo o website que foi criado especialmente para esta locação e conta com detalhes da loja, história do local e receitas deliciosas.

Loblaws 60
60 Carlton Street, Toronto, Ontario
416-593-6154
http://loblaws.ca/60carlton

Pato para as massas

Pato para as massas

Por Tatiana Barros

Pato! Para mim, saborear esse tipo de ave é novidade. Sempre vi o preparo de carne de pato em programas de culinária e em restaurantes mais refinados, mas nunca pensei em pedir. Até que outro dia, passeando pelo mercado passei pela sessão de ovos, notei uma caixinha com ovos maiores que o normal. Fui ver de perto e eram… ovos de pato! Assim, ali, como se fosse algo natural da sessão de ovos.

Peguei uma caixinha e voltei para casa super curiosa. Pela embalagem, procurei o site da marca. É uma marca de Quebec, se chama Brome Lake Ducks.

Que idéia genial popularizar produtos derivados de pato! Eles têm ovos, carne, caldos, molhos, patês, linguiças e até gordura, tudo feito dessa ave.

Eu nunca havia experimentado ovos de pato antes e confesso que são deliciosos. O sabor é similar ao ovo comum de galinha, mas muito mais acentuado. Por ser maior, também demora um pouco mais para cozinhar.

Dessa primeira experiência, minha próxima aventura foi comprar peito de pato direto da sessão de carnes ao lado dos frangos. Ainda estou contente pelo acesso tão fácil a algo que antes só encontrava em açougues ou em lojas especializadas.

Para quem não conhece, a carne do pato também é saborosíssima e bastante nutritiva. A carne e os ovos de pato são ricos em vitaminas A, B12, C, ferro, cálcio e outros.

Deixo para vocês a minha versão do peito de pato. Espero que gostem!

PEITO DE PATO GRELHADO (MAGRET)

Ingredientes:
1 peito de pato (magret)
2 colheres (sopa) de vinagre de maçã
1 pitada de tomilho
1 colher (sopa) de mel
alho em pó a gosto
cebola em pó a gosto
azeite de oliva quanto baste
sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo:
Retire o peito de pato da geladeira 10 minutos antes de cozinhar. Com uma faca afiada, faça riscas sobre a pele, em padrão quadriculado, mas sem atingir a carne. Coloque o peito de pato em uma tigela, adicione o vinagre, o tomilho, o alho em pó, a cebola, o azeite, o sal, a pimenta e o mel. Esfregue bem essa mistura na carne e deixe marinar por 1 hora (meia hora de cada lado).

Depois do descanso, coloque o peito de pato, com o lado da pele para baixo, em uma frigideira pré-aquecida em fogo médio-alto por 2 minutos. Remova o excesso de gordura da panela e deixe selar por mais 2-3 minutos. Reduza o fogo para médio, e cozinhe por 6-7 minutos ou até que a temperatura interna chega a 63°C. O magret (como o peito de pato é chamado, em francês) é melhor quando servido ao ponto, ainda cor-de-rosa por dentro, mas bem tostadinho por fora.

Retire da panela e deixe descansar por 5 minutos. Depois, é só cortar o magret em fatias e servi-lo com o acompanhamento que preferir.

Quem se aventurar a cozinhar algo com pato, mande notícias pra gente! Para mais receitas gostosas com carne de pato, confira o website da Brome Lake.

Criando novas tradições

Criando novas tradições

Por Tatiana Barros

Hoje vou falar um pouco sobre as tradições que vejo por aqui e uma maneira gostosa e criativa de entrar na dança.

Eu acreditava que o feriado de Thanksgiving – Dia de Ação de Graças – fosse uma tradição americana e não canadense. Mas descobri que, na verdade, esta é uma tradição antiga europeia para celebrar e agradecer por colheitas fartas. No Canadá, a celebração ocorre todo ano em outubro, enquanto os americanos o fazem em novembro. Conta a história que, quando um explorador inglês chegou à Newfoundland em 1578, ele quis agradecer pela chegada em segurança ao novo continente e celebrou o primeiro Thanksgiving no continente americano, 43 anos antes dos peregrinos em Plymouth, Massachusetts (nos EUA).

Ano passado, eu e um amigo resolvemos reinventar as comidas típicas do feriado, como o tradicional peru recheado e o gravy, molho feito com os ossos do bicho, legumes e vegetais, e a famosa torta de abóbora. Inspirados pela tradição, resolvemos criar nosso próprio cardápio: lasanha de peru com legumes e uma torta-bolo de pera e banana.

Peço desculpas desde já pois não vou passar medidas exatas nas receitas. Geralmente faço tudo a olho. Esta receita não depende da precisão das medidas para ficar gostosa então fique tranquilo, tudo dará certo!

Recomendo começar pela torta-bolo, assim pode deixá-la esfriar enquanto prepara a lasanha.

Eu não sei se o conceito de torta-bolo já existe, mas o que queríamos era um bolo com a casquinha da torta. É simples e delicioso! O bolo pode ter qualquer sabor e vocês podem escolher quaisquer frutas. Passarei a receita com os ingredientes que escolhemos. Eu queria que nossa sobremesa fosse colorida, então usamos corantes para alimentos.

TORTA-BOLO DE PERA E BANANA
Nota: Usamos massa para torta e mistura para bolos prontos. Se quiserem, podem fazer ambos do zero, claro.

1 mistura para bolo sabor baunilha
3 peras
3 bananas
1 massa pronta para tortas
corantes variados para alimentos

Prepare a massa de bolo de acordo com as instruções do fabricante e divida a massa em 4 partes. Reserve. Corte as frutas em cubinhos. Misture 1 corante de cada cor em cada tigela e adicione um pouco das frutas. Coloque a massa pronta para tortas em 2 formas médias e cubra-as com a mistura para bolos, intercalando as cores para dar um efeito divertido. Asse-as em forno médio, de acordo com as instruções do fabricante. Retire as tortas-bolos do forno e deixe esfriar.

E agora, a lasanha:

LASANHA DE PERU

massa para lasanha quanto baste
carne de peru moída (pode ser substituída por qualquer outro tipo de carne moída)
bacon, alho e cebola a gosto
sal a gosto
tomates, cenouras, cogumelos e mussarela quanto bastem para formar as camadas
molho gravy comprado pronto (é difícil de achar no Brasil; pode substituir por mais molho de tomate ou arriscar fazer um gravy como este aqui – receita em inglês)
água quanto baste
azeite de oliva quanto baste

Cozinhe a massa para lasanha em água fervente até ficar macia. Escorra-a e reserve. Cozinhe também a cenoura (eu gosto de cozinhar no vapor). Reserve. Frite a carne com um pouco de azeite, numa frigideira grande, em fogo médio. Reserve a carne e use a mesma frigideira para fritar os cubos de bacon. Retire a gordura deixada pelo bacon na frigideira e adicione os cogumelos. Cozinhe-os em fogo baixo, até ficarem macios. Reserve. Em uma panela, refogue a cebola e o alho picadinhos em um pouco de azeite e em seguida adicione a carne, o bacon e o tomate picado. Se necessário, junte 1 colher (chá) de mel ou açúcar para quebrar a acidez do tomate. Quando o tomate estiver cozido, adicione a cenoura e o cogumelo, misture tudo e tire do fogo. Em uma forma grande, coloque a primeira camada de massa de lasanha, cubra com uma camada de carne, seguida pelo gravy e cubra com a mussarela. Repita até encher a forma ou acabarem os ingredientes. Coloque para assar em forno preaquecido a 180⁰C para gratinar, verifique de 10 em 10 minutos para ter certeza de que não passará do ponto.

Nova colunista, direto do Canadá

Nova colunista, direto do Canadá

Convidei uma amiga querida para dividir com a gente algumas aventuras gastronômicas direto de sua nova morada: Toronto, no Canadá.

Biscoitinhos para quebrar o gelo!

Por Tatiana Barros

Olá! É com muito prazer que começo a escrever para o Guloseima!

Antes de deixar todos com vontade de comer coisas gostosas, gostaria de me apresentar: me chamo Tatiana e a partir de hoje estarei com vocês para dividir as delícias do Canadá, diretamente de Toronto. Nascida e criada em São Paulo, sou grande apreciadora de comidas gostosas e diferentes e é isso que busco aqui no Canadá. Espero que gostem!

Hoje vou falar sobre um lugar que descobri há alguns meses. Eles vendem apenas “shortbread”, que nós conhecemos como amanteigados, aqueles biscoitinhos que só de olhar já ganhamos uns três quilos. O nome do lugar é Mary Macleod’s Shortbread e fica na Queen Street, em Toronto. Apesar de existirem desde 1981 e serem conhecidos mundialmente, esta é a única loja deles. A filosofia da empresa diz que os produtos devem estar sempre fresquinhos (e sempre estão) e por isso produzem apenas pequenos lotes por vez.

A loja é pequenininha e aconchegante e o cheiro dos biscoitos produzidos logo atrás do balcão deixa qualquer um maluco. O atendimento também é diferenciado e pessoal. A pessoa que me atendeu fez questão de explicar todos os sabores e até ofereceu alguns para eu experimentar.

Mary Macleod, nascida na Escócia, veio para o Canadá há mais de 30 anos e conta que a receita inicial de seus biscoitinhos era de sua avó francesa. E a receita é constantemente aperfeiçoada. Os ingredientes são todos locais, sempre puros e frescos. Além da receita tradicional, eles produzem mais oito sabores. Dentre eles, misturas como chocolate e laranja, chocolate e avelã e café com chocolate branco. Outro ponto alto dos biscoitinhos são as opções crocantes. Pedacinhos de chocolate crocante são adicionados à massa e a textura é completamente diferente de tudo que já experimentei. Algumas das opções:

Toronto, assim como todo o Canadá, é um lugar multicultural e cheio de comidas deliciosas, de lugares puramente tradicionais àqueles que fazem uma releitura das diferentes culturas e tendências. Será um prazer trazer isso para vocês aqui no Guloseima!

Deixo aqui os detalhes da loja e a receita original da Mary para poderem matar a vontade em casa. Caso estejam passeando por esses lados, não deixem de passar por lá!

Mary Macleod’s Shortbread
639 Queen Street East, Toronto, Ontario
(416) 461-4576
http://www.marymacleod.ca

*

BISCOITINHOS AMANTEIGADOS (SHORTBREAD)
receita original da Mary Macleod

1 ¼ xícara (chá) de manteiga (225 gr)
2/3 de xícara (chá) de açúcar de confeiteiro (85 gr)
2 colheres (sopa) de frutose
¼ de xícara (chá) de farinha de trigo durum (55 gr)
2 ½ xícaras (chá) de farinha de trigo comum, usada em bolos (340 gr)

Pese todos os ingredientes em tigelas diferentes, com a manteiga na tigela da mistura principal. Misture a manteiga, o açúcar de confeiteiro, a frutose e a farinha de trigo durum, até obter um branco pálido. Acrescente a farinha comum gradualmente, trabalhando a mistura com as mãos até obter uma massa suave e flexível. Às vezes não é necessário usar toda a farinha. A massa está boa quando parar de grudar nas mãos. Transfira a massa do shortbread para uma tábua de madeira ou polietileno e amasse-a por alguns minutos, até ficar flexível. Corte os amanteigados da maneira que preferir e coloque-os em uma assadeira para biscoitos. Asse-os em forno baixo, a 120°C, por 30 minutos. Gire a forma e asse-os por mais 30 minutos, até dourar. Retire-os do forno, deixe esfriar bem e guarde num pote limpo, com tampa.

Fácil, prático, rápido, e bom

Fácil, prático, rápido, e bom

Vivendo só ou acompanhado, tem dias em que você não quer nem mesmo olhar para a cozinha, especialmente no calor. Nesses dias que pedem praticidade e um pouco de alegria no lar, doce, lar, você pode preparar sanduíches incríveis com ingredientes que você deve ter em casa. Ou seja: só vai precisar buscar uns pãezinhos ali na padaria, quem sabe uns frios.

Basicamente, tudo pode ser colocado dentro de duas fatias de pão. O pão pode ser caseiro, de forma, integral, francês, sovado, o que preferir. Como recheio, você pode usar sua imaginação. Manteiga fresca é uma boa pedida, se você for acompanhar seu lanchinho com uma boa xícara de café com leite.

Frios são companhia perfeita para qualquer pão: peito de peru, salame, copa, presunto cru, presunto cozido, queijos variados. Verduras, tomates, cenoura ralada, cogumelos e outros vegetais podem fazer a alegria do seu pãozinho.

Tem muita gente que adora passar maionese no pão, para dar uma leve segurada nos demais ingredientes e não desmontar tudo. Maionese cai muito bem com hambúrguer (carnes são perfeito recheios de sanduíches), mas para um lanche mais leve, você pode usar queijo cremoso, manteiga, azeite ou até uma mostarda forte, do tipo Dijon, que casa bem com carnes de aves.

sanduiches

Eu tenho uma receita que me parece sempre infalível nas noites deleitosas de verão. Você vai precisar de:

– 2 fatias de pão integral (ou o que preferir)
– 4 fatias de peito de peru (ou mais, é claro)
– folhas de alface
– fatias de tomate
– azeitonas pretas, picadas
– azeite
– mostarda Dijon
– sal, orégano e pimenta-do-reino para temperar

Leve as fatias de pão para tostar e aquecer. Quando prontas, besunte uma das fatias com mostarda Dijon (não exagere, é forte), regue com uma fatia de azeite e coloque as fatias de peito de peru.

À parte, tempere a alface cortada e os tomates com azeite, sal, orégano e pimenta-do-reino. Ponha a salada (quanto desejar) sobre o peito de peru. Corte as azeitonas em fatias e coloque por cima. Feito isso, pegue a outra metade e pressione sobre o restante, para ficar, hummm, compacto.

Coloque num prato bonito, sirva o restante da salada, uma taça de vinho, e aproveite o jantar!

É frugal, mas faz bonito.

Se estiver entre amigos, varie o recheio: salame acompanha tomates de uma maneira espetacular, e a mistura combina muito bem com azeite. Nesse caso, esqueça a mostarda Dijon.

Frango defumado, desfiado, com alface, rúcula, mostarda e tomate combinam muito bem. Sanduíches de copa são mais difíceis de combinar com molhos e quetais: vão melhor com verduras, azeite e pão fresquinho. Pão italiano, rústico, copa e azeite podem virar um manjar dos deuses na companhia de um bom vinho!

Outro sanduíche fantástico: damasco seco e queijo brie. Com um vinho tinto, o que você pode querer mais? :)

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