Amores e vinhos

O vinho é um alimento vivo, dizem os especialistas. E é também um espelho do tempo em que foi produzido: o plantio das videiras, o amadurecimento dos cachos, a delicadeza da colheita. Depois, os tanques, os barris de madeira, o tempo adormecendo, amadurecendo, afinando os compassos até a hora de ir para as garrafas e esperar, novamente. O tempo do vinho é esperar.

Vinhos na Expo Vinis

Até que alguém se encante, compre a garrafa, a trate com carinho, deixe-a gelar só um pouco, para ficar na temperatura certa. A temperatura, para o vinho, é fundamental. Quente, a bebida deixa que o álcool engane os sentidos. Gelado demais, os aromas delicados não conseguem se desprender. No ponto, porém, o vinho pode ser de uma sutileza encantadora.

Tudo isso para dizer que estou apaixonada. Por todos eles: tintos, rubros, violáceos, brancos, dourados, cor de palha, terrosos. Estive na Expo Vinis e, apesar do calor dantesco e da quantidade incrível de pessoas, pude observar de perto, bem de pertinho, famílias inteiras de vinhos aqui e ali, espalhados em estandes e taças, muitas taças.

E me ocorreu que os bebedores de vinho sempre são felizes. O sorriso daquela gente toda não me desmentia.

Na penúltima aula do curso na ABS, o professor indicou combinações interessantes para conquistar o coração de incautos rapazes e donzelas adoráveis que entendam (ou não) do riscado. A turma, já levemente aturdida por umas taças de poderoso vinho Madeira, deu seus pitacos e apontou o champanhe (o verdadeiro) como um afrodisíaco interessante para as conquistas amorosas.

O professor concordou, mas lembrou que champanhe pode soar um pouco óbvio. Então, para impressionar as moças, foi sugerido um Gewurztraminer, aquele vinho branco delicado com perfume de rosas. Quem resiste?

Para impressionar os rapazes, o professor indicou um bom Bordeaux; disse que os meninos tendem a preferir vinhos mais pungentes e, preferencialmente, tintos.

Alunos e alunas adoraram as dicas e juraram colocar em prática. Para ficar no assunto do dia, recomendo este texto delicioso do New York Times em que a moça, crítica de vinhos, resolve agradar seu encanador com algumas garrafas para oferecer a cada diferente paixão.

Tudo muito bonito e elegante, como merecem as grandes conquistas de amor.