Cervejas e petiscos

Poucas combinações são mais deliciosas do que cerveja e petiscos. Neste mês, a chef Renata Braune, do La Reina Deli Bar, em Pinheiros, São Paulo, aposta nesta combinação festiva. De 18 a 30 de agosto, a chef servirá pratos com cara de boteco para combinar com cervejas especiais.

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Tem batata rösti com presunto serrano e queijo de cabra para combinar com a (deliciosa!) Baladin Isaac, estilo witt beer; tem mix de salsichinhas com cebola frita na cerveja, para beliscar com uma Erdinger Pikantus; e tem o meu favorito: costelinha de porco na cerveja com creme de semolina, acompanhada da deliciosa Corsendonk, estilo Dubbel.

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Os pratos fazem parte do festival “Comendo e Bebendo Cervejas Especiais” e podem ser pedidos com ou sem a bebida harmonizando. Minha sugestão é: vá sem pressa e leve os amigos, assim dá para pedir mais petiscos e provar vários. A lista completa de quitutes e suas cervejas é esta aqui, com comentários para os que experimentamos a convite da casa:

Costelinha de porco na cerveja com creme de semolina (R$ 30)
Harmoniza com: Corsendonk (330ml, R$ 28), estilo Dubbel
Pedaços suculentos de costelinha cozidos em cerveja escura, ficam ligeiramente adocicados. O creme de semolina é delicioso, mais leve que polenta e mais intenso que purê de batatas. Casou maravilhosamente com a potente Corsendonk.

Iscas de filé ao molho gorgonzola (R$ 36)
Harmoniza com: La Trappe (330 ml, R$ 29), estilo Tripel
Um clássico dos botecos paulistanos, o filé ao gorgonzola acompanha torradinhas e é leve, apesar do que a combinação sugere. Par perfeito com a fina La Trappe.

Batata rösti com presunto serrano e queijo de cabra (R$ 32)
Harmoniza com: Baladin Isaac (330 ml, R$30), estilo Witt
Prato de sotaque suíço-alemão, a batata rösti imaginada pela chef vem em porções pequenas e delicadas, com lascas de um presunto serrano delicado e saboroso (fabricação nacional). O toque ácido do queijo de cabra fica incrível com as notas cítricas da witt beer.

Mix de mini salsichas com cebola frita na cerveja (R$ 34)
Harmoniza com: Erdinger Pikantus (500 ml, R$ 24), estilo Weizenbock
Outro item que não pode faltar em botecos que se prezem, a mistura de minissalsichas (ai, novo acordo ortográfico…) e linguicinhas cai bem com a perfumada Erdinger Pikantus.

Além destes, tem ainda a Sopa de cebola com cerveja (R$ 26), par perfeito da Pilsen 1795 (500 ml, R$ 24), e o Arroz de frango na cerveja (R$ 36), que casa com a Blond Ale Tempelier (330 ml, R$28).

La Reina Deli Bar
Rua Joaquim Antunes, 621 – Pinheiros – São Paulo/SP
(11) 3062-4814

Eataly SP

O primeiro semestre de 2015 está agitado para a cena gastronômica de São Paulo, particularmente no quesito comida italiana. Em março, o chef britânico Jamie Oliver abriu seu Jamie’s Italian por aqui, no Itaim. E agora, nesta terça, 19 de maio, é a vez do Eataly inaugurar sua loja, igualmente no Itaim.

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O Eataly é uma espécie de megaempório focado em produtos de qualidade italianos. É um verdadeiro império, criado por Oscar Farinetti, com 29 lojas espalhadas pelo mundo – a primeira delas, em Turim, foi uma das inspirações para a unidade paulistana. A parte de mercado é forte, complementada por uma vasta oferta de restaurantes e pontos de alimentação. A expertise nessa área é dada pelo chef Mario Batali, um dos ícones da “famiglia” Eataly (ele esteve aqui para a apresentação da casa para a imprensa, mas não para a abertura oficial ao público).

Visitamos o Eataly na segunda-feira, dia 18, numa espécie de pré-estreia para convidados. Diferentemente da apresentação para a imprensa, alguns dias antes, desta vez era possível comprar a maioria dos itens expostos. E a quantidade de itens, diga-se, é de impressionar.

O prédio espelhado, de três pisos, fica no número 1.489 da Avenida Juscelino Kubitschek, com aquele trânsito velho conhecido do paulistano. É difícil chegar, é difícil sair, e isso sempre estressa. Mas, ao pisar no Eataly, a atmosfera muda: o ambiente é claro, com decoração leve, em que o destaque são mesmo os produtos; o clima é atencioso, sem ser esnobe; e há muita, muita, comida. Comida por toda parte!

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São laticínios, bebidas, vinhos, queijos, embutidos, massas frescas e secas, pizzas, chocolates, doces, sorvetes. Há uma bela padaria, de onde saem pães de fermentação natural – como o excelente de azeitonas verdes, ou o de nozes – e foccacias apetitosas. O açougue, limpo e muito claro, convida a experimentar cortes e preparos diferentes, como o giotto especiale – hambúrguer com crosta de castanhas. Os peixes, lustrosos, exalam frescor. Em gôndolas espalhadas pelo megaempório, há também frutas, verduras, legumes, farinhas, biscoitos, molhos, temperos, cogumelos, sais do mundo todo, azeites. E ainda: utensílios de cozinha, livros e até sabonetes e itens de perfumaria italianos. Ufa.

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Quer mais? Tem mais: sete restaurantes temáticos – Il Crudo (pratos de peixe cru e ostras), Le Verdure (pratos italianos vegetarianos), La Piazza (mozzarella, queijos, petiscos), La Carne (pratos para os carnívoros), Il Pesce (receitas com pescados), La Pasta (seleção de massas artesanais, frescas e secas) e La Pizza (como o nome indica, redondas no estilo italiano); e um restaurante com bar, exclusividade de São Paulo, o Brace Bar e Griglia, comandado pela chef Ligia Karasawa (ex-Clos de Tapas) – aqui, a especialidade são os ingredientes preparados na brasa (“brace” significa brasa, em italiano). Pensa que acabou por aí? Pois ainda tem cafeterias (Lavazza e Vergnano), sorveteria (Il Gelato di Venchi), pasticceria (La Pasticceria di Luca Montersino), chocolateria (Il Cioccolato Venchi), bar de sucos (Bar della Frutta) e um balcão de… Nutella. Sim, Nutella. Um combo para fazer qualquer um sair mais gordo de lá – e mais pobre, certamente.

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Verdade seja dita: os preços são altos, como em qualquer empório de luxo. Se visitar o Eataly, prepare-se para gastar. Mas nem tudo é proibitivo. Os pães são um bom exemplo: um pão de casca grossa, de fermentação natural, com azeitonas verdes, custa R$ 32 o quilo. Uma unidade, de pouco mais de meio quilo, saiu por R$ 18,05. Caro? Sim. Mas, extremamente saboroso, bem-feito, bem fermentado, não se compara aos (também caros) pães de padarias convencionais. É para todos os dias? Não, a menos que você seja um sortudo abonado.

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O interessante é que um lugar como o Eataly reúne centenas de produtos das mais variadas categorias, e produtos realmente bons – pelo menos, a maior parte deles. Nem tudo é importado, tem muitos itens nacionais de altíssima qualidade, como os cafés da Martins ou os chocolates Amma. É um lugar para comprar itens especiais. Quer pancetta fresca? Lá tem. Gianduia italiano autêntico? Também tem. Prosciutto crudo San Danielle? Este é o lugar. E, ao mesmo tempo, tem chuchu a R$ 1,99 o quilo, morangos importados a R$ 19,90 a bandeja e caríssimas castanhas-de-caju a R$ 40 o pote.

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As dimensões do lugar impressionam. Tem tudo para se tornar um marco gastronômico de São Paulo, especialmente se mantiver o bom atendimento dessa pré-estreia.
Certamente, o Eataly não é o lugar para fazer as compras do mês. Mas é um lugar para sonhar.

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Estas são nossas impressões da pré-estreia, ou seja: ainda voltaremos lá para provar os restaurantes e fazer novas compras, desta vez sem convite.

Por enquanto, ressaltamos:

Pontos fortes:

– Grande oferta de produtos frescos, de qualidade, com preços variados.
– Reúne, em um só lugar, diversos tipos de comidas e bebidas, desde os itens mais básicos, como verduras e legumes, até os mais exóticos, como sais importados de diferentes países.
– O espaço amplo permite andar pelos corredores sem grandes atropelos, e as inúmeras opções de restaurantes convidam a desfrutar de refeições menos formais – a menos que você vá ao Brace, pensado justamente para oferecer almoços e jantares à la carte.

Pontos fracos:

– A localização, em pleno burburinho do Itaim, é um convite ao trânsito. E, dadas as dimensões do negócio, tende a tornar o trânsito ainda mais caótico.
– Na nossa primeira visita, a música estava alta demais, atrapalhando a conversa – talvez pelo clima de “balada” da pré-estreia.
– Embora haja produtos com custo-benefício interessante, alguns preços estavam meio fora de propósito, como castanhas de caju a R$ 40.

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Eataly Brasil
Avenida Juscelino Kubitschek, 1.489, Itaim, São Paulo, SP
https://www.facebook.com/eatalybrasil

Guloseima: 9 anos no ar

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A minha versão do Abaporu: celebrando a vida com vinho, boa comida, ótima companhia. Foto: Guloseima.net

 

“Seja verdadeiro”. Ou melhor, seja verdadeira. Fiquei matutando essas palavras esta semana, pensando nos novos rumos aqui do Guloseima e da minha própria vida. Pois é, eis que o Guloseima acaba de completar 9 anos. Foi logo agora, em abril. Quase um mocinho, já.

Muitas águas rolaram de lá para cá, muita coisa boa aconteceu. Sem pressa, com pressa. Assim, tudo ao mesmo tempo, como sempre fui, como ainda sou. O Guloseima nasceu no UOL Blog, em abril de 2006. Integrou o primeiro coletivo de blogs, o Interney, já extinto. Foi parceiro do iG. Migrou de novo, dessa vez para o falecido Blogs Abril. E, em seguida, ganhou casa própria e endereço novo: o Guloseima.net, onde permanece até hoje.

Agora, aos 9 anos, o Guloseima ficou ainda melhor: tem um template novinho em folha, adaptado por uma dupla pra lá de talentosa (Lanika.net + Carolina Y); traz fotos maiores e receitas bem explicadas, para você cozinhar sem medo. O conteúdo antigo permanece, para a gente lembrar do que passou, dos erros e acertos, e tentar fazer sempre melhor.

Mas temos novas seções fixas: Receitas, Restaurantes, Vinhos e Bebidas, Viagens, Novidades. Traremos sempre notícias fresquinhas do mundo maravilhoso da gastronomia, com resenhas de restaurantes, dicas de produtos, relatos saborosos de viagens e, principalmente, receitas. Minhas e de chefs queridos, que fazem a diferença para trazer mais alma para a nossa cozinha.

Porque cozinhar, assim como escrever, exige um bocado de técnica – “90% transpiração”, é o que dizem. Mas asseguro que os “10% de inspiração” são fundamentais para dar o gosto de comer e de ler.

Por isso, o “seja verdadeira”, lá do comecinho deste texto. É meu mantra para tudo o que faço. E, com o Guloseima, não poderia ser diferente. Nosso mote não poderia ser mais verdadeiro, pois: “Comida é coisa séria”. Aqui em casa, tenho certeza de que é coisa seriíssima. E, na sua casa, também.

Aos amigos e leitores antigos, obrigada pelo carinho e por terem permanecido neste espaço, mesmo quando ele estava escondidinho. Aos leitores novos, meus cumprimentos e meu desejo de boas-vindas. Voltem sempre!

Que delícia estar em casa.

 

Polenta

Polenta caseira coberta com almeirão salteado com alho e azeite, parmesão, pimenta preta. Foto: Guloseima.net

Tenho fascínio por verduras amargas. Catalonia, escarola, almeirão, folhas de mostarda… Cada uma acrescenta uma camada diferente de sabor, mesmo que preparadas da maneira mais simples do universo: salteadas com alho picado e bom azeite. Aqui, salteamos as verduras para cobrir uma apetitosa polenta caseira. Continue lendo “Polenta”