Toranja, grapefruit, pamplemousse

Pamplemousse - Foto: Luciana M.
Grapefruits adquiridos diretamente das gôndolas do Pão de Açúcar

Poucas coisas na vida são tão gratificantes quanto descobrir coisas novas. Novos sabores, novos cheiros, novas paisagens. Gosto disso, de descobrir. Este ano, na viagem inesquecível que fiz lá para as bandas de Paris, conheci uma fruta matreira, amarga, vermelha como sangue (por dentro!), e com um odor que eu levaria comigo para todos os lugares: o grapefruit.

No Brasil, infelizmente não temos o hábito de comer – ou tomar o suco – do nosso amigo grapefruit, também conhecido, em terras tupiniquins, como toranja, pomelo ou pomelo-rosado. Nomes feios para uma fruta tão feliz! Prefiro chamá-la por seu nome afrancesado, me lembra a poesia dos cafés da manhã na cidade mais linda do mundo. “Em França”, costumam chamar a frutona de pamplemousse. Não é belo?

É sim. Mas então, em Paris, eu tomava todo-santo-dia um copo de suco de pamplemousse no café da manhã, enquanto as hordas de turistas preferiam o suco de laranja passada e comiam loucamente ovos, e potes e potes de iogurtes. Também comiam coisas que boiavam em um molho estranho. Eu preferia fazer como meus amigos franceses: comia um bom e velho croissant, com meu suco rosa e feliz, e meu dia estava salvo!

Quando retornei da voyage, fiquei com crise de abstinência e me aventurei a encontrar, numa segunda-feira à noite, pomelos lindos e maduros (jesus, que coisa erótica) em algum supermercado. Achei! O Pão de Açúcar tinha vários, todos cheirosos e bonitos e com a polpa vermelhinha, vermelhinha.

Fiz o suco. Amargo como o diabo gosta, e com tanta vitamina C que eu podia sentir as moléculas saltitando em minhas veias. Mas… decepção! O suco que eu tomava “em França” era diferente… Mais doce, talvez. Mais velhinho, talvez. Passado, bem provável.

Mas fato é que deixou saudade. E muita. Uma saudade rosada e amarguinha, como as boas saudades devem ser.

Caldo verde

Caldo Verde - Foto: Luciana M.
Em homenagem à minha cunhada, filha de portugueses, vou postar uma receita típica de sua família: o Caldo Verde. Trata-se de um bom caldo preparado com linguiça portuguesa defumada, de boa qualidade, couve fresca, picada finamente, e um bom punhado de batatas… Mas o fundamental nessa receita é ter sempre à mão um bom azeite extravirgem (nem precisa ser o português, necessariamente… Tenho utilizado azeites excelentes – e com bons preços – da Olitalia).

Basicamente, você vai precisar de:

CALDO VERDE

6 batatas grandes ou 8 médias
8 folhas de couve bem grandes (mais ou menos meio maço grande)
1 linguiça portuguesa defumada
3 dentes de alho picados
Azeite extravirgem a gosto
Água quanto baste para a sopa

Tire a pele da linguiça e descarte. Corte e a linguiça em rodelas e reserve. Coloque água para ferver num caldeirão (cerca de 2 litros); quando ferver, acrescente as linguiças e deixe aferventar. Enquanto isso, descasque as batatas e corte em pedaços pequenos. Quando a linguiça estiver aferventada, retire-a da água e aproveite esse caldo para cozinhar as batatas. Enquanto isso, lave bem a couve e corte em fatias muito fininhas (o mais fininho que conseguir!). Quando as batatas estiverem cozidas, retire-as da água com uma escumadeira e passe-as pelo espremedor de batatas, até virar um purê. Deixe o caldo fervendo e junte novamente as linguiças pré-cozidas e agora o purê de batatas. Mexa bem. O caldo vai engrossando levemente. Acrescente toda a couve e vá mexendo. Deixe ferver, mexendo de vez em quando. À parte, frite 3 dentes de alho grandes (bem picadinhos) em uma porção generosa de azeite. Quando estiverem douradinhos, coloque uma concha do caldo da sopa no refogado e mexa bem, levando tudo ao caldeirão. Prove o sal, deixe engrossar o caldo e sirva estupidamente quente!

Fica melhor ainda se acompanhado de pão ou torradas, com um grande fio de azeite cobrindo a sopa!

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Comida alemã

Em homenagem ao clima de Copa do Mundo que tem imperado por aqui, almocei hoje num restaurante alemão. Relapsa que sou, esqueci o nome do restaurante, mas eu vou lembrar, eu juro.

Conheço pouco da culinária alemã, mas posso dizer que fiquei bastante feliz com meu Wiener Schnitzel”, um filé de lombo à milanesa, muito fininho, acompanhado de salada de batatas, purê de maçã e uma mostarda muito boa.

Preciso de uma boa receita de salada de batatas, aliás. Se alguém tiver uma bem bacana, no estilo alemão, pode deixar na caixinha de comentários que eu agradeço.

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Starbucks no Brasil?

Pois é, estão dizendo que a maior rede de cafeterias norte-americanas, a famosa Starbucks, chegará ao Brasil no ano que vem. Parece que a primeira loja será inaugurada em São Paulo. Veja aqui.

Particularmente, não tenho nada contra a rede, mas também nada a favor. Já tomei um cappuccino da Starbucks, no copão de papelão e tudo, com friozinho gostoso no fim de tarde, ou seja: a cena clássica. Mas, olha, não achei tuuuudo isso, não. Achei bem normal, não devendo nada aos nossos bons cappuccinos nacionais. Mas uma coisa é certa: aquele copinho deles é muuuito prático! Tem gente que ama, eu ainda preciso provar mais.

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As coisas mais gostosas de Paris

Numa viagem a Paris, há quem enlouqueça com compras, passeios ou museus. Eu fico louca com a comida (ok, com as compras também). Eu que, normalmente, me alimento como um passarinho, viro um monstro glutão ao pisar na capital francesa. Explico: como resistir aos deliciosos pain au chocolat e croissants no café da manhã? Como resistir aos macarons coloridos, cada cor sugerindo um mundo novo de delícias? Na minha mais recente estadia por lá, me fartei de três alimentos básicos – e caros –  à humanidade: pão, queijo e vinho. Segue minha lista de eleitos para quando você tiver a alegria de conhecer Paris:


Pain au chocolat: é praticamente um croissant, com massa folhada levemente doce, mas o recheio, ahhh, o recheio é uma grossa barra de chocolate meio amargo que fica com uma textura inexplicável depois de se amalgamar, levemente, com a massa, no processo de assar. É consumido basicamente no café da manhã, mas eu poderia comê-lo a qualquer hora do dia. Se você estiver em São Paulo, pode provar essa delícia na Pain de France e na DeliParis.


Macarons: são um tipo de doce muito, muito leve, cuja massa é feita com uma espécie de farinha de amêndoas. Cada cor (claro…) corresponde a um sabor. Rosa, para os de morango; marrons, para os de chocolate. Beges, para os de café e verdes (os meus favoritos) para os de pistache. Em Sampa podem ser encontrados na Payard e também na supracitada DeliParis. Mas, aqui, a massa leva farinha de castanha de caju. Não fica tão leve, mas é também delicioso.

Para completar, o trio que me faz feliz, em Paris, ou em qualquer lugar:

Baguetes, queijos e vinhos: as baguetes, na França, são deliciosamente crocantes e fresquinhas. Claro, se você, como eu, sair em busca de uma refeição às oito da noite, em Paris, corre o risco de encontrar uma baguete dura e/ou terrivelmente murcha. Mas se você for esperto, consegue acertar a hora da padaria (ou boulangerie, como queira), e comprar deliciosas baguetes quentinhas, crocantes e felizes. E carregá-las envoltas em um mísero papelzinho de padaria é uma aventura. Tente não deixar muita poeira ou fumaça de cigarro poluir sua baguete.

Já os queijos, na França, são uma aventura à parte, capaz de deixar qualquer amante de queijos enlouquecido. Diz que há um tipo diferente de queijo para cada dia, por lá. Mas eu prefiro deixar meu paladar escolher os de sempre: brie, camembert e os variados tipos de chèvre, queijos de cabra que são uma alegria para mim e que, infelizmente, em São Paulo custam os olhos da cara. A marca mais usual para o queijo-nosso-de-cada-dia, em Paris, é a President. Em alguns bons supermercados você consegue encontrá-los por aqui.

E, para finalizar, os vinhos. Costumava comprar umas garrafas por bons preços nos mercadinhos mais fuleiros de Paris. Normalmente, era um Côte-du-Rhônes pungente, tinto, delicioso. Outras vezes, investi num rosé da Provence, mais leve. Não provei nenhum branco (acho que sou fã, mesmo, é dos tintos). Mas a regra é: não tenha medo de experimentar. Sim, sim, dizem que há várias leis para combinar queijos e vinhos, etc, mas eu ia mais pelo que meus olhos aprovavam. E sempre deu certo!

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