Alcachofra braseada

Percebo que a primavera está chegando por alguns sinais. O primeiro deles são os ipês amarelos, que florescem em toda a cidade, dando aquela impressão gostosa de que o calor se aproxima. Os outros sinais estão nos mercados e feiras, onde a oferta de alguns ingredientes dá pistas de que o inverno está indo embora.

Um desses ingredientes primaveris é a alcachofra. Já em meados de agosto notei que esta flor já estava presente no mercado e na feira, tanto as grandonas como as minialcachofras. Quando frescas, é costume da minha família prepará-las com um molhinho bem suave de tomates frescos, alho, cebola e orégano, e degustá-las das pétadas ao miolo.

Mas desta vez quis inovar e, vendo as lindas alcachofrinhas-bebês no mercado, por um excelente preço, decidi prepará-las na panela, quase inteiras.

Seu preparo é muito simples. O que dá trabalho é limpar as pequenas alcachofras, arrancando as pétalas duras e removendo com muito cuidado as fibras que recobrem o coração. Feito isso, é só refogá-las em um pouco de alho, azeite e vinho branco e deixá-las cozinhar até ficarem macias. Com alcachofra fresca, não tem erro.

alccachofrinhas

ALCACHOFRAS BRASEADAS
Rendimento: 2 porções

10 minialcachofras
1 dente de alho picadinho
1 colher (sopa) de azeite de oliva
50 ml de vinho branco seco
Sal e pimenta-do-reino a gosto
Água quanto baste

Limpe as alcachofrinhas como mencionado acima, deixando-as de molho em água com limão até a hora de usar. Quando estiverem todas limpas, escorra-as e reserve. Aqueça o azeite numa panela pequena e doure ligeiramente o alho. Acrescente as alcachofrinhas, misture bem e coloque um pouco de sal. Junte o vinho e cozinhe até evaporar quase completamente. Abaixe o fogo, junte um dedinho de água e tampe a panela. Verifique de vez em quando, até as alcachofras estarem bem macias. Junte mais água quente, se necessário, e cozinhe até as alcachofras absorverem todo o líquido. Corrija o sal, tempere com pimenta-do-reino moída na hora e sirva em seguida.

Eu fiz essas alcachofrinhas para acompanhar hambúrgueres caseiros e rodelas de batata assadas com alho e tomilho. Todas receitas simples, que aproveitam o melhor da estação e ainda nutrem corpo e alma.

Couve-flor à polonaise

Esta receita é muito simples, mas incrivelmente boa. Leva apenas couve-flor, farinha de rosca e manteiga. Um toque de sal e pimenta, alguns minutinhos de forno bem alto e voilà: um prato gostosinho para complementar o jantar.

COUVE-FLOR À POLONAISE
Rendimento: 2 porções

1 couve-flor
2 colheres (sopa) de manteiga sem sal
4 colheres (sopa) de farinha de rosca
água quanto baste
sal e pimenta-do-reino a gosto

Lave bem a couve-flor, desmembrando-a em pequenos floretes e cortando eventuais pontinhos pretos. Cozinhe a couve-flor em água fervente, com sal a gosto, por 8 minutos. Em seguida, resfrie-a em água gelada.

Acomode a couve-flor em uma tigela que possa ir ao forno e reserve. Enquanto isso, derreta a manteiga em uma frigideira antiaderente e junte a farinha. Torre por alguns minutos, em fogo médio, até a farinha ficar dourada e desprender um aroma agradável. Coloque essa farinha sobre a couve-flor e leve a tigela ao forno alto, bem quente, para gratinar por 10 minutos.

Retire do forno, tempere com sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto e sirva.

É um acompanhamento delicioso para um salmão assado ou bife grelhado.

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Em tempo: farinha de rosca boa de verdade é aquela que a gente faz em casa. Se tiver pãozinho francês sobrando, corte-o em fatias e leve ao forno alto por alguns minutos, como se fosse para fazer torradas, até ficar bem seco. Deixe esfriar e moa as torradas num moedor, processador ou liquidificador, até virar uma farinha. Fácil, fácil, e ainda aproveita os pãezinhos que sempre sobram.

Tomilho, o rei das ervas

Acontece com todo mundo que cozinha: de vez em quando a gente “descobre” algo que nunca tinha usado antes. Pode ser simples para todo o universo mas, para nós, a coisa só acontece quando a gente olha para aquele ingrediente com uma curiosidade nova, e se apaixona, inevitavelmente, por ele.

Aconteceu comigo quando conheci o tomilho, uma erva pequenina que faz uma diferença absurda na finalização ou composição dos pratos. Já tinha ouvido falar em tomilho, mas sempre ignorava aquele macinho de folhas grudadinhas quando via a barraca de ervas frescas na feira. Nunca tinha nem me dado ao trabalho de comprar um potinho de tomilho seco. Até então, dentre as ervas, as minhas favoritas ainda eram o orégano (seco) e o maravilhoso manjericão (fresco) – vale mencionar que ainda adoro os dois, por sinal!

Até que comecei a fazer o curso de chef, em fevereiro do ano passado, onde conheci e provei o tomilho. Resultado: minha paixão de 2008 virou pleno amor em 2009, e acho que vamos ter um casamento duradouro – e feliz! 😀

Na feira, descobri que há o tomilho e o tomilho-limão, ambos deliciosos. O primeiro tem um aroma que lembra o do orégano e o segundo, claro, tem um aroma puxado para o cítrico. Gosto dos dois, e ainda estou fazendo testes para saber quais as diferenças nos pratos.

Na Wikipedia, descobri que o nome em latim para o tomilho é Thymus vulgaris, e que seu óleo essencial tem “apreciável poder antisséptico, muito utilizado contra as afecções pulmonares e como estimulante digestivo”.

No curso de chef, aprendi que o tomilho é amplamente utilizado na culinária francesa, sendo um dos componentes clássicos do bouquet garni, aquele saquinho com algumas ervas que usamos para aromatizar caldos, fundos e molhos, por exemplo.

E, na vida, aprendi finalmente que o tomilho é uma das poucas ervas que conseguiram se adaptar à minha pequenina área de serviço, bem junto da cozinha, onde cresce numa jardineira ao lado da cebolinha (que plantei esta semana e que ainda não sei se pegou direitinho). Minha mãe, adorável, foi quem me deu o vasinho com o tomilho. Também tentamos plantar a sálvia, mas a sálvia é mais temperamental e infelizmente não se adaptou. 🙁 Alguma dica para cuidar de sálvia e manjericão em apartamento?

Para finalizar minha devoção ao tomilho, uma receitinha básica em que você pode começar a apreciar o sabor delicado desta erva que, além de linda, tem personalidade e faz bem à saúde:

Batatas-bolinha sauté com tomilho fresco

– 10 batatas-bolinha, cozidas com casca e secas
– 1 colher (sopa) de manteiga
– 1 colher (sopa) de azeite
– sal grosso moído na hora
– pimenta-do-reino moída na hora
– ramos de tomilho fresco (só as folhinhas)

Corte as batatas ao meio, mantendo a casca, assim que as batatas estiverem frias. Aqueça a manteiga e o azeite numa frigideira, sem deixar queimar, e coloque as batatas, uma a uma, com a casca voltada para cima. Deixe fritar, mexendo de vez em quando a frigideira, até que as batatas comecem a ficar crocantes.

Nesse momento, vire as batatinhas para a casca dourar um pouquinho também. Assim que estiverem fritas, coloque-as num prato com uma folha de papel-toalha, para retirar um eventual excesso de óleo, e tempere com sal e pimenta.

Finalize com as folhas frescas de tomilho, e sirva! Ficam ótimas para acompanhar carnes em geral e, no caso dos vegetarianos, boas saladas de verão. É só fazer uma “cama” de salada e finalizar com as batatas ainda mornas por cima. Fica delícia! 🙂

Tem alguma dica ou receita fantástica usando tomilho? Deixe um comentário ali embaixo ou mande um e-mail para o Guloseima!