Na Liberdade

Gosto muito de passear pela Liberdade. Tenho uma grande admiração pelo povo japonês, e um dos países que sonho visitar é o Japão.

Com a comida, claro, não poderia ser diferente. Conheci a comida japonesa meio “tarde”, aos 20 e poucos anos, porque meus pais – descendentes de italianos e portugueses – não podiam imaginar como é deliciosa a comida japonesa. Eles nem queriam tentar, a bem da verdade.

Restaurante Itidai

Mas, aos 20 e poucos, eu tinha uma gastrite brava. E meu namorado da época me indicou a comida japonesa, dizendo que era mais leve e que eu poderia comer sossegada. Ok, vamos lá, pensei.

Comecei com um combinado de sushis e sashimis, desses de restaurante de shopping. A princípio, só conseguia comer salmão cru. Achava peixe branco, de todo tipo, um horror. Borrachudo.

Mas, aos poucos, a curiosidade foi maior. E hoje eu adoro atum gordo (muito mais que salmão), robalo, peixe-prego, e toda sorte de peixes crus. Só não consegui gostar ainda de natô, grãos de soja fermentados, com um aroma muito pungente. Já saí de um restaurante por causa disso, admito… Não consegui ficar perto do senhorzinho que, feliz, comia seu natô… Dizem que ele é a grande prova para quem REALMENTE gosta da culinária japonesa… Sendo assim, acho que preciso experimentar mais um pouco.

Pois bem. Outro dia, fazendo pesquisas sobre comida japonesa, decidi – junto com amigos – jantar na Liberdade. Tarde da noite, encontramos o restaurante Itidai, que ficaria aberto até meia-noite. Voilà!

De entrada, com muita fome, pedi um temaki de tobiko, ovas douradas de peixe-voador. Levemente decepcionantes, para quem ama as ikuras (ovas de salmão), como eu. Sabor suave demais.

Restaurante Itidai

Como prato principal, optei por um teishoku de sashimi. Além do peixe cru – fatias de atum, salmão, peixe-prego e um peixe branco maravilhoso (que não consegui identificar qual era), vieram também arroz, missoshiro, tofu em pedaços com gengibre ralado e cebolinha e uma tigela de moyashi, brotos de feijão, puxados levemente no shoyu. Excelentes!

Restaurante Itidai

Para completar, ainda petisquei as enguias que meu amigo pediu: vinham numa caixinha, sobre arroz, e cobertas com um molho agridoce. Boas, mas gordurosas, como são as enguias, e com aquele gosto de “terra”, típicos dos peixes de rio. (Se estiver errada, por favor, me corrijam! :D)

Restaurante Itidai

Mas o custo-benefício foi bem interessante. E, claro, é sempre incrível jantar na Liberdade no meio da semana, ainda mais saindo do restaurante tarde, por volta de meia-noite, e ver aquela chuvinha fina parecendo Tóquio nos anos 1970. Ou o que eu imagino que tenha sido Tóquio nos anos 1970. Ah, eu amo os japoneses. Muito.

Restaurante Itidai

E, claro, não poderíamos deixar de experimentar o lámen da casa: caldo agridoce, forte, quente. Delícia.

Restaurante Itidai

As enguias… Muito molho agridoce para compensar a gordura e o sabor terroso das enguias.

Restaurante Itidai

Sushis de ovas de tobiko. Gostosas, mas prefiro o sabor mais forte das ikuras. Acho que eu fui japonesa em outra encarnação. Será?