Falando de café

Paris

Café é uma das minhas grandes paixões culinárias. Para ter uma ideia, tenho em casa várias opções para extrair o líquido negro e poderoso no meu café da manhã de todo dia: uma máquina de espresso De Longhi, uma Nespresso, coadores de plástico, uma moka italiana e uma minifrench press. Fora o arsenal para moer os grãos e as variedades de cafezinho que vou descobrindo por aí.

Meus favoritos hoje, em geral, têm sido os cafés brasileiros de microlotes, arábica, especialíssimos. Têm uma doçura natural e aromas que lembram achocolatado, caramelo, até floral. Para quem gosta de café, o céu é o limite.

Um viva para o Brasil e seus produtores dedicados, que têm aumentado, e muito, a qualidade das nossas bebidas!

Esses dias o portal da revista Espresso, especializado no assunto, me entrevistou sobre o Pingado e pão na chapa – Histórias e receitas de café da manhã, meu livro querido lançado no ano passado. Foi um papo gostoso, solto, em que falei dessa paixão tão intensa que tenho pelo café de todo dia. Não é para menos: sem minha xícara diária, não sou ninguém.

Confira aqui a minha entrevista sobre o livro no Portal Espresso.

Quer saber mais sobre o livro? Clique aqui!

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PS: este café aí de cima não foi o melhor da minha vida em termos de qualidade, mas em termos afetivos ele cumpriu seu papel: foi oferecido após um almoço na universidade francesa Sorbonne, em outubro de 2010, parte do curso Hautes Études du Goût, no qual me formei. Foi um dia emocionante em que aprendi um pouco mais sobre os produtos regionais franceses, em aula ministrada nessa universidade mítica. Ter aula de comida na Sorbonne? Com almoço depois? Pura emoção. E com chocolatinho amargo para acompanhar… Ai, que saudade! 🙂

HEG: olha a gente aí

Poucos dias depois de voltar de Paris/Reims/Normandia, um dos amigos queridos do curso encontrou um vídeo do jantar molecular do qual participamos, no Cordon Bleu. Tema: cozinha molecular.

Pratos com chocolate que não era chocolate, polifenóis em forma de gelatina, “champanhe” feito de vinho branco e umas pedrinhas esquisitas, que achamos muito parecidas com pop rocks – aquelas balinhas que estouram na boca. Divertidíssimo!

Para quem quiser ver, o vídeo é este aqui:

Se você olhar bem, eu apareço num pedacinho, recebendo meu diploma. Hahaha! 😉

Hautes Études du Goût – meu curso francês

Sparkling Eiffel Tower

Um monte de gente tem me perguntado: afinal, o que é que a senhora foi fazer na França, além de se divertir?

Pois bem, eu fui estudar. Com um prazer absurdo, é claro, mas eu fui es-tu-dar.

Explico. Desde 2008, quando concluí o Curso Objetivo Chef, na Wilma Kovesi, eu queria fazer este curso. Foram quase dois anos de empenho, mas consegui.

O curso se chama Hautes Études du Goût (em uma tradição literal, “altos estudos do gosto”), e é oferecido em parceria entre a tradicional escola de culinária francesa Le Cordon Bleu e a Universidade de Reims. Na França, claro.

Basicamente, o curso se divide em duas semanas. Na primeira, em Paris, frequentamos a sala de aula do Cordon Bleu, e – aqui preciso dizer – foi uma emoção imensa. Mas, assim, IMENSA mesmo, andar por aqueles corredores cheirando a comida, vendo os alunos vestidos com seus dólmans respingados de molho, e os professores ali, ensinando as técnicas mais incríveis de cozinha, como era feito desde a época de Julia Child, desde antes. Lágrimas nos olhos no primeiro e no último dia. E muitas risadas no meio…

Le Cordon Bleu

Nesta primeira semana, tive aula com gente incrível, como Hervé This – que esteve recentemente no Brasil – Claude Fischler e outros grandes nomes da história, sociologia, antropologia, psicologia e ciência da gastronomia e da alimentação. A programação era intensa: de manhã, acordar e ir para a aula. Depois, almoçar com a turma no restaurante determinado pelo curso (vinho todo dia, bien sûr) e, de tarde, mais aula. À noite tínhamos jantares pedagógicos – como um jantar medieval ou o jantar molecular criado por Hervé This, ou jantares simples em restaurantes também determinados pelo curso. Raros momentos sem nada pra fazer.

Abaixo, monsieur Hervé This:

Paris

Sibel Pinto, ex-aluna Cordon Bleu, preparou um jantar com acepipes turcos para nosso primeiro jantar do curso:

Paris

E o jantar foi harmonizado com cervejas:

Paris

Foi durante esta semana em Paris que conhecemos o mercado noturno de Rungis, uma madrugada inteira, gelada, visitando setores de carnes, verduras, legumes, queijos – só esta visita já merece um post. Falarei sobre ela outro dia.

Na segunda semana, seguimos a caminho de Reims, na região de Champagne, para mais aulas teóricas, almoços simpáticos e jantares pedagógicos quase todos os dias. Provamos foie gras, cogumelos da estação (e eles estavam no auge, posso dizer), além de vinhos e champanhes incríveis.

Quase não tínhamos tempo livre, mas usamos cada micro segundo para aproveitar a França. E olha, vou dizer: aproveitamos.

A turma era variada: orientais, norte-americanos, sul-americanos, canadenses, australianos, franceses. Claro que meu grupo mais próximo era composto, basicamente, pelos orientais e latinos, com exceção de um americano, que afeiçoou-se aos terceiro-mundistas e conosco ficou. Todos os dias, depois das aulas, nos reuníamos para beber alguma coisa e conversar no nosso inglês meio esquisito, mas que funcionou perfeitamente.

Depois das duas semanas intensas de curso, comilança, risos e diversão, decidi ficar mais uma semana na França para partir com alguns dos novos amigos para a Normandia. Mas esta história fica para outro dia.

Esta foto abaixo, assim como a que abre este post, foram tiradas no terraço do sétimo andar do Novotel, em Paris, onde ficamos hospedados durante nossa estadia parisiense. Da varanda, podíamos avistar a torre enquanto tomávamos um drinque juntos: vinhos, cervejas e Jack & Coke, que tornou-se a bebida oficial do grupo. Sim, estávamos na França. Mas, sim, tomamos uísque americano todo dia. Amigos, né?

Eiffel Tower

Todas as técnicas culinárias e mais a Nigella

Falei que gosto de livros, né? Gosto mesmo, e comecei o ano surtada, comprando vários livros de culinária e receitas. Acho que é saudade do curso, só pode ser! Ou uma vontade de chegar mais cedo em casa, de conseguir passar no mercado, de preparar o jantar todos os dias… Deve ser isso.

Pois esta semana, passeando pela Internet, encontrei dois livros com ótimos preços, e que eu queria já faz um tempão: Todas as técnicas culinárias do Cordon Bleu e Nigella Express.

O primeiro, rico em fotografias, traz variadas técnicas culinárias que você precisa saber, se ama cozinhar e adora uma novidade. Para mim, é uma ótima oportunidade de relembrar tudo o que aprendi em um ano no curso de chef da Wilma Kovesi, e aprofundar alguns temas que não se fixaram tão bem na memória, como a maneira de empregar aspic ou fazer um patê en croûte perfeito…

Já o livro da Nigella é uma doçura do começo ao fim… No sentido carinhoso, e não açucarado, da palavra. Muita gente critica a apresentadora inglesa, acusando-a de não lavar as mãos entre um prato e outro, ou de comer gororobas frias “roubadas” da geladeira no meio da noite… Mas eu gosto dela, e muito, porque ela parece, pra mim, uma mulher normal, e não uma heroína das panelas.

Às vezes ela está cansada, às vezes ela engorda, às vezes prepara biscoitos de chocolate para consolar uma amiga triste… Enquanto prepara uma pot pie, ela toma as lições de francês da filha, ou passa no mercadinho num fim de tarde, depois do trabalho, para comprar um bom naco de carne para fazer no jantar. A Fer, do blog Chucrute com Salsicha, me contou nos comentários que a Nigella é viúva (nas pesquisas, descobri que ela casou-se novamente). Eu não sabia, e fiquei um pouco triste por ela… Agora acho que ela parece mais ainda uma mulher normal, que poderia ser nossa amiga de anos e anos… Obrigada, Fer, por compartilhar a informação comigo!

Para ocasiões festivas e corriqueiras, e mais algumas outras, Nigella ensina uma receitinha rápida e, garante ela, apetitosa. Eu mal posso esperar para provar a torta de frango, cogumelo e bacon. Vou usar minhas tigelinhas brancas só para isso! 😉 Aqui tem a receita, mas está em inglês. E aqui tem um capítulo do livro, se você quiser provar.

Este post fora de hora me deu uma fominha… Acho que vou aproveitar o tempo feioso para fazer uma sopa. Quem sabe uma soupe au pistou?