Madeleines

Madeleines ao mel prestes a ser devoradas. Foto: Luciana Mastrorosa/Guloseima

Passei o mês de novembro inteiro comemorando o meu aniversário. Estou para conhecer alguém que goste mais de fazer aniversário do que eu!

Este ano, o sabor foi mais especial do que nunca, com a minha pequenina ao meu lado. Assim fica mais fácil encarar a idade… Hehehe. Por outro lado, não posso sair muito de casa ainda, então uma ida ao restaurante ficou para mais tarde. Tudo bem, estou encarando essa fase maravilhosa como um presente. A possibilidade de ficar juntinha da bebê todo tempo é uma preciosidade, e sou eternamente grata por isso.

Mas o dia de aniversário foi realmente especial. Ganhei visitas de amigos que não via há muito tempo, ganhei um monte de presentinhos fofos e um bolo feito especialmente para mim, de frutas vermelhas e merengue. Viva!

E a parte mais divertida de todas é que eu ganhei uma batedeira nova. Vermelha, linda, pesadona. Chorei quando a caixa foi entregue, dias antes do prazo, igual criança. MESMO. A primeira receita que fiz com ela foi tão simples que quase não deu para dizer que foi uma estreia: as clássicas madeleines, aqueles bolinhos em forma de concha que ficaram famosos por causa do Proust, autor de “Em Busca do Tempo Perdido”.

Peguei uma receita bem tranquila do livro “Feito em casa”, do confeiteiro Eric Lanlard (ed. Larousse) e fui em frente. Aliás, vale dizer que este livro é um sonho! As fotos são incríveis e todas – toooodas – as receitas dão água na boca.

Vale dizer também que nunca comi tanto doce quanto agora. O puerpério e a lactação me trouxeram um paladar totalmente novo e inesperado para doces, além de me deixar um tanto sem apetite para os salgados. E agora eu fico folheando diversos livros, sonhando com as receitinhas todas que quero fazer quando tiver tempo novamente – do tipo marshmallows de cortar com a tesoura! Meu brinquedo novo combina bem com esta nova fase.

Mas estas madeleines do chef Lanlard são nível super easy, vale até bater à mão, se for o caso. Levíssimas, douradas e saborosas, são um pequeno luxo para acompanhar o chá e o café.

MADELEINES
(do livro Feito em Casa, de Eric Lanlard, ed. Larousse)

90 g (4 1/2 colheres de sopa) de manteiga (mais o suficiente para untar as forminhas)
90 g (3/4 de xícara de chá) de farinha de trigo (mais o suficiente para polvilhar as forminhas)
2 colheres (chá) de mel
40 g de açúcar de confeiteiro (3 colheres de sopa) (mais o suficiente para polvilhar as madeleines prontas)
1 colher (chá) de fermento em pó (químico)
2 ovos
Raspas de 1 limão taiti ou siciliano ou 1 colher (chá) de água de flor de laranjeira

Preaqueça o forno a 180 ºC. Se usar forma de metal, unte-a com manteiga derretida e polvilhe-a com farinha, tomando cuidado de preencher bem as ranhuras da forma (ou a madeleine pode não sair inteira). Eu usei uma forma de silicone para fazer míni madeleines, de modo que não precisei untá-la nem enfarinhá-la. O chef recomenda usar formas de metal e informa que esta receita rende 20 unidades. No meu caso, rendeu bem mais do que isso, porque a forma é para tamanhos pequeninos do doce. E funcionou super bem na forma de silicone.

Resolvida a questão da forma, prepare a massa: derreta a manteiga e o mel juntos numa panela pequena. Deixe esfriar. Peneire a farinha, o açúcar e o fermento, juntos, numa tigela. Adicione a mistura de mel e manteiga e bata gentilmente. Em seguida, adicione os ovos e as raspas de limão e continue batendo – mas tome cuidado para não bater demais. Eu usei a velocidade 2 da batedeira.

Coloque a massa às colheradas na forma, sem encher demais as cavidades. Leve as madeleines para assar por cerca de 10 minutos, ou até crescer e dourar. Retire-as do forno, deixe esfriar e, se quiser, polvilhe-as com açúcar de confeiteiro.

Aqui acabou em minutos, não deu nem tempo de peneirar o açúcar! 🙂

*

E para quem ficou curioso, deixo aqui o trecho do livro em que o escritor francês Marcel Proust fala sobre as madeleines:

“(…) Ela mandou buscar um desses bolinhos pequenos e cheios chamados madalenas e que parecem moldados com aquele triste dia e a perspectiva de mais um dia tão sombrio como o primeiro, levei aos lábios uma colherada de chá onde deixara amolecer um pedaço de madalena.

Mas no mesmo instante em que aquele gole, de envolta com as migalhas do bolo, tocou o meu paladar, estremeci, atento ao que se passava de extraordinário em mim. Invadira-me um prazer delicioso, isolado, sem noção da sua causa. Esse prazer logo me tornara indiferentes as vicissitudes da vida, inofensivos os seus desastres, ilusória a sua brevidade, tal como o faz o amor, enchendo-me de uma preciosa essência: ou antes, essa essência não estava em mim; era eu mesmo. Cessava de me sentir medíocre, contingente, mortal. (…)”

(Em Busca do Tempo Perdido – No Caminho de Swann; trecho extraído do capítulo  I Combray, p. 31. De Marcel Proust, ed, Abril Cultural, tradução de Mário Quintana)

Meu livrinho vem aí

livro de Luciana Mastrorosa
Pingado e Pão na Chapa: vem aí meu primeiro livro

Adoro contar histórias, isso não é novidade: não foi à toa que virei jornalista. Se as histórias forem sobre comida, então… Daí eu me divirto mesmo!

Hoje recebi da minha editora a foto da capa do meu primeiro livro de histórias e receitas. Que delícia! Mal posso esperar para tê-lo, quentinho, nas mãos, com cheirinho de papel novo.

Em breve, mais detalhes e o convite para o lançamento! 😀

Agora só falta um layout novo e lindo para este meu blog querido. E mais atualizações, claro 😉

Todas as técnicas culinárias e mais a Nigella

Falei que gosto de livros, né? Gosto mesmo, e comecei o ano surtada, comprando vários livros de culinária e receitas. Acho que é saudade do curso, só pode ser! Ou uma vontade de chegar mais cedo em casa, de conseguir passar no mercado, de preparar o jantar todos os dias… Deve ser isso.

Pois esta semana, passeando pela Internet, encontrei dois livros com ótimos preços, e que eu queria já faz um tempão: Todas as técnicas culinárias do Cordon Bleu e Nigella Express.

O primeiro, rico em fotografias, traz variadas técnicas culinárias que você precisa saber, se ama cozinhar e adora uma novidade. Para mim, é uma ótima oportunidade de relembrar tudo o que aprendi em um ano no curso de chef da Wilma Kovesi, e aprofundar alguns temas que não se fixaram tão bem na memória, como a maneira de empregar aspic ou fazer um patê en croûte perfeito…

Já o livro da Nigella é uma doçura do começo ao fim… No sentido carinhoso, e não açucarado, da palavra. Muita gente critica a apresentadora inglesa, acusando-a de não lavar as mãos entre um prato e outro, ou de comer gororobas frias “roubadas” da geladeira no meio da noite… Mas eu gosto dela, e muito, porque ela parece, pra mim, uma mulher normal, e não uma heroína das panelas.

Às vezes ela está cansada, às vezes ela engorda, às vezes prepara biscoitos de chocolate para consolar uma amiga triste… Enquanto prepara uma pot pie, ela toma as lições de francês da filha, ou passa no mercadinho num fim de tarde, depois do trabalho, para comprar um bom naco de carne para fazer no jantar. A Fer, do blog Chucrute com Salsicha, me contou nos comentários que a Nigella é viúva (nas pesquisas, descobri que ela casou-se novamente). Eu não sabia, e fiquei um pouco triste por ela… Agora acho que ela parece mais ainda uma mulher normal, que poderia ser nossa amiga de anos e anos… Obrigada, Fer, por compartilhar a informação comigo!

Para ocasiões festivas e corriqueiras, e mais algumas outras, Nigella ensina uma receitinha rápida e, garante ela, apetitosa. Eu mal posso esperar para provar a torta de frango, cogumelo e bacon. Vou usar minhas tigelinhas brancas só para isso! 😉 Aqui tem a receita, mas está em inglês. E aqui tem um capítulo do livro, se você quiser provar.

Este post fora de hora me deu uma fominha… Acho que vou aproveitar o tempo feioso para fazer uma sopa. Quem sabe uma soupe au pistou?

O novo livro de Heloisa Bacellar

Sou viciada em livros e agora, especialmente, os de culinária e gastronomia. Comprei ontem o meu primeiro livro do ano, o excelente Entre panelas e tigelas, a aventura continua. A autora é a doce Heloisa Bacellar, que já havia me encantado antes com sua prosa descontraída e receitas apetitosas no Cozinhando para amigos.

Já tinha recebido um release comentando sobre o lançamento, mas me decidi a comprar o volume quando li a matéria do caderno Paladar, do Estadão, sobre o livro. Fiquei completamente encantada pela cozinha de Heloisa Bacellar!

Descobri que ela também adora galinhas (como eu, que tenho uma queda pela galinhas d’angola, tão lindas!), que tem uma biblioteca gastronômica invejável e, que todas as fotos do livro contaram com os lindos e preciosos utensílios de sua cozinha.

Ou seja: além de escrever bem e criar receitas deliciosas, Heloisa ainda tem bom gosto para garimpar objetos de tudo quanto é tipo para sua cozinha. Adoro, né?

Destaque especial e menção honrosa para o capítulo “Guloseimas de Paris” que é, para quem me conhece, praticamente uma homenagem a mim :D. Paris e guloseimas juntos? Obrigada, Helô! Brincadeiras à parte, o livro é realmente um achado e não fica devendo em nada para o Cozinhando para amigos.

E as fotos também merecem elogios: Rômulo Fialdini mandou muito bem, e só valorizou ainda mais a receitas de Heloisa!

Na foto abaixo, a chef (que é advogada, de formação, e sempre amou cozinhar) posa junto aos seus belos utensílios de
cozinha. Heloisa Bacellar é formada pelo Le Cordon Bleu, de Paris. Mais um desses sonhos que eu ainda hei de realizar! 🙂

“Entre panelas e tigelas, a aventura continua”
Heloisa Bacellar, com fotos de Rômulo Fialdini
Preço sugerido: R$ 175.
428 páginas, 319 receitas e mais de 350 fotos!
Editora DBA

Presentes de aniversário

No dia 12 de novembro eu completei 30 anos e entrei para o fabuloso universo das balzaquianas… Para me agradar em minha nova “fase” da vida, meus amigos adoráveis me presentearam com coisas incríveis, em sua maioria com temática gastronômica. Adorei, naturalmente. E muito!

Um dos presentes mais especiais foi uma bolsa linda de pano com delícias do mundo todo: flor de sal francesa em três versões, mostarda Dijon (amo muito!), geléias, óleo de gergelim, Nutella e até uma latinha de harissa, um condimento árabe perfeito para aromatizar o caldo do cuscuz marroquino. Obrigada, Carla e Lello! :)) Pensando nos prazeres da carne, o casal incluiu também um livrinho com milhares de dicas para enlouquecer um homem na cama. Ai, Jesuis! Será que já estou precisando disso??

Meu marido, menos ousado, me presenteou com o maravilhoso livro Chefs: segredos e receitas – para reforçar, com lindas fotos, todas as técnicas culinárias que aprendi ao longo do ano no curso de chef da Escola Wilma Kovësi de Cozinha.

Dos queridos amigos do curso, Kátia e David, ganhei um livro maravilhoso com receitas de “pequenos almoços”, do Le Cordon Bleu, e um cd da Diana Krall para embalar os bons momentos na cozinha.

Do André, veio A Itália de Jamie, e de Rafael e Daniele, o ótimo A rainha que virou pizza. Ricardo a Ana Lia me brindaram com uma linda garrafa de azeite fresquinho, que a família dela produz lá em Portugal.

Para finalizar, mi maridón se compadeceu e me deu também um notebook novinho e cor-de-rosa, para combinar bem comigo e facilitar minha vida virtual.

Agora eu bem precisaria de férias, uns bons meses de descanso, para botar toda essa leitura em dia… E escrever todos os comentários aqui, depois!

Mas, que nada! O Natal está logo aí, o curso está no fim… Tenho muito o que cozinhar.