Editando receitas

Desde que decidi trabalhar oficialmente com gastronomia, nos idos de 2006, muitas águas rolaram. Fiz freelas, escrevi textos sobre assuntos legais (e não tão legais), tirei fotos, escrevi posts, aprendi a cozinhar (e continuo aprendendo), cozinhei muito, errei, acertei, vivi.

Há um ano trabalhando como editora-assistente da revista Menu, tenho aprendido cada dia um pouquinho mais sobre o maravilhoso universo da gastronomia. Escrevi até um livro cheinho de receitas, veja só!

Tudo isso para falar justamente delas: as receitas. Adoro receitas! Justamente porque podemos sempre mudar, adaptar, melhorar, piorar, dar um toque diferente a cada uma delas. E, na revista, uma das minhas principais tarefas é justamente editar, com todo o amor do mundo, as receitinhas que recebemos dos chefs e publicamos na revista. Toooodas elas.

E posso dizer sem medo: eu adoro fazer isso. Em um ano, desenvolvi todo um método para preservar sempre a linguagem do chef e tentar deixar tudo beeeem explicadinho, nos mais ínfimos detalhes.

Claro, sempre pode passar alguma coisa errada ou desconexa, mas meu objetivo é melhorar mais e mais. E aprender, estudar, desenvolver a arte e a técnica de escrever, adaptar, editar e, claro, preparar as receitas.

Por enquanto me falta uma linda e espaçosa cozinha experimental para botar os sonhos em prática. Mas com um pouco de persistência, chego lá.

Curry de frango e pera

Hoje preparei um curry de frango e pera muito rápido, ficou pronto em meia hora. Fica maravilhoso com arroz branco.

CURRY RÁPIDO DE FRANGO E PERA
Rendimento: 2 porções

1 peito de frango (500 g) sem pele e sem ossos, em cubinhos
1 xícara (chá) de caldo de frango
3 dentes de alho picadinhos
1/2 cebola picada
3 cravos
1 canela em pau
2 colheres (sobremesa) de curry em pó
1 folha de louro
300 g de creme de leite fresco
1 pera portuguesa, sem casca, em cubos
1 colher (sopa) de manteiga
1 colher (sopa) de azeite de oliva
sal e pimenta-do-reino a gosto

Em uma panela média, aqueça o azeite e a manteiga. Junte a cebola e o alho e mantenha no fogo até dourar. Acrescente o frango em cubinhos e tempere com um pouco de sal e pimenta.Misture bem e frite até que o frango esteja levemente dourado.

Junte a pera, o curry, o louro, os cravos e a canela e misture. Acrescente em seguida o caldo de frango quente e mexa bem. Adicione o creme de leite e abaixe o fogo, mexendo sempre até o creme engrossar ligeiramente. Acerte o sal e a pimenta, misture bem e sirva em seguida, com arroz branco.

Se quiser, junte também fatias de manga fresca ou alguma verdura refogada, como espinafre ou escarola.

*

E para quem perdeu a minha entrevista para a rádio CBN, no sábado passado, deixo aqui o link para o áudio. Ficou muito divertido, acho que você vai gostar.

Meu livrinho vem aí

livro de Luciana Mastrorosa
Pingado e Pão na Chapa: vem aí meu primeiro livro

Adoro contar histórias, isso não é novidade: não foi à toa que virei jornalista. Se as histórias forem sobre comida, então… Daí eu me divirto mesmo!

Hoje recebi da minha editora a foto da capa do meu primeiro livro de histórias e receitas. Que delícia! Mal posso esperar para tê-lo, quentinho, nas mãos, com cheirinho de papel novo.

Em breve, mais detalhes e o convite para o lançamento! 😀

Agora só falta um layout novo e lindo para este meu blog querido. E mais atualizações, claro 😉

Bolinhos de siri

bolinhos-siriComecei a semana preparando bolinhos de siri. São simples, bolinhos de massa mole, daqueles com cara de infância. Minha avó fazia bolinhos com essa massa usando recheios como camarão ou miolo (de boi). Eu já fiz uma versão com atum em lata, ficaram gostosos também.

Mas a carne de siri é mais adocicada e leve, então pede algum temperinho a mais, como um pouco de pimenta picadinha.

BOLINHOS DE SIRI
Rendimento: 10 bolinhos

5 colheres (sopa) de farinha de trigo
1/2 copo (americano) de leite
2 ovos
300 g de carne de siri, já limpa
1/2 cebola picadinha
1 colher (sobremesa) de manteiga
1/2 pimenta dedo-de-moça sem sementes, picadinha
1 fio de molho shoyu
Sal e pimenta-do-reino a gosto
Gotas de Tabasco

Frite levemente a cebola na manteiga e deixe esfriar. Enquanto isso, prepare a massa: bata os ovos e misture a farinha, o leite, a carne de siri e os temperos. Se a massa estiver muito mole, acrescente mais farinha. É importante que a massa fique mole, mas não aguada.

Quando a cebola estiver fria, acrescente à massa e mexa bem. Se gostar, pode acrescentar algumas ervinhas picadas, como cebolinha. Misture tudo e frite em óleo bem quente. Prove o sal do primeiro bolinho e, se estiver sem graça, coloque um pouco mais de sal na massa e mexa bem. Coloque os bolinhos com cuidado num prato com papel-toalha, para absorver bem a gordura.

Acompanha bem uma salada verde e também uma cerveja gelada… Gotas de Tabasco trazem mais alegria aos bolinhos, assim como um pouco de limão espremido.

Tomilho, o rei das ervas

Acontece com todo mundo que cozinha: de vez em quando a gente “descobre” algo que nunca tinha usado antes. Pode ser simples para todo o universo mas, para nós, a coisa só acontece quando a gente olha para aquele ingrediente com uma curiosidade nova, e se apaixona, inevitavelmente, por ele.

Aconteceu comigo quando conheci o tomilho, uma erva pequenina que faz uma diferença absurda na finalização ou composição dos pratos. Já tinha ouvido falar em tomilho, mas sempre ignorava aquele macinho de folhas grudadinhas quando via a barraca de ervas frescas na feira. Nunca tinha nem me dado ao trabalho de comprar um potinho de tomilho seco. Até então, dentre as ervas, as minhas favoritas ainda eram o orégano (seco) e o maravilhoso manjericão (fresco) – vale mencionar que ainda adoro os dois, por sinal!

Até que comecei a fazer o curso de chef, em fevereiro do ano passado, onde conheci e provei o tomilho. Resultado: minha paixão de 2008 virou pleno amor em 2009, e acho que vamos ter um casamento duradouro – e feliz! 😀

Na feira, descobri que há o tomilho e o tomilho-limão, ambos deliciosos. O primeiro tem um aroma que lembra o do orégano e o segundo, claro, tem um aroma puxado para o cítrico. Gosto dos dois, e ainda estou fazendo testes para saber quais as diferenças nos pratos.

Na Wikipedia, descobri que o nome em latim para o tomilho é Thymus vulgaris, e que seu óleo essencial tem “apreciável poder antisséptico, muito utilizado contra as afecções pulmonares e como estimulante digestivo”.

No curso de chef, aprendi que o tomilho é amplamente utilizado na culinária francesa, sendo um dos componentes clássicos do bouquet garni, aquele saquinho com algumas ervas que usamos para aromatizar caldos, fundos e molhos, por exemplo.

E, na vida, aprendi finalmente que o tomilho é uma das poucas ervas que conseguiram se adaptar à minha pequenina área de serviço, bem junto da cozinha, onde cresce numa jardineira ao lado da cebolinha (que plantei esta semana e que ainda não sei se pegou direitinho). Minha mãe, adorável, foi quem me deu o vasinho com o tomilho. Também tentamos plantar a sálvia, mas a sálvia é mais temperamental e infelizmente não se adaptou. 🙁 Alguma dica para cuidar de sálvia e manjericão em apartamento?

Para finalizar minha devoção ao tomilho, uma receitinha básica em que você pode começar a apreciar o sabor delicado desta erva que, além de linda, tem personalidade e faz bem à saúde:

Batatas-bolinha sauté com tomilho fresco

– 10 batatas-bolinha, cozidas com casca e secas
– 1 colher (sopa) de manteiga
– 1 colher (sopa) de azeite
– sal grosso moído na hora
– pimenta-do-reino moída na hora
– ramos de tomilho fresco (só as folhinhas)

Corte as batatas ao meio, mantendo a casca, assim que as batatas estiverem frias. Aqueça a manteiga e o azeite numa frigideira, sem deixar queimar, e coloque as batatas, uma a uma, com a casca voltada para cima. Deixe fritar, mexendo de vez em quando a frigideira, até que as batatas comecem a ficar crocantes.

Nesse momento, vire as batatinhas para a casca dourar um pouquinho também. Assim que estiverem fritas, coloque-as num prato com uma folha de papel-toalha, para retirar um eventual excesso de óleo, e tempere com sal e pimenta.

Finalize com as folhas frescas de tomilho, e sirva! Ficam ótimas para acompanhar carnes em geral e, no caso dos vegetarianos, boas saladas de verão. É só fazer uma “cama” de salada e finalizar com as batatas ainda mornas por cima. Fica delícia! 🙂

Tem alguma dica ou receita fantástica usando tomilho? Deixe um comentário ali embaixo ou mande um e-mail para o Guloseima!

Vontade de brigadeiro

Começando a semana com uma vontade doida de comer doce, especialmente os de chocolate. Eu tenho dessas coisas, às vezes… Acho que todo mundo, né? O desejo de hoje é comer brigadeiro.

Mas não gosto de comer brigadeiro em qualquer lugar porque, pra mim, brigadeiro tem muito de memória afetiva. Tem de ser macio, brilhante, e ter gosto de aniversário de criança, quando a gente usava aqueles chapeuzinhos de papel colorido e soprava língua-de-sogra, apitos, essas coisas todas… E minha mãe ar-ra-sa-va na cozinha! Nas minhas festas, sempre tinha docinhos, e dos bons: brigadeiro, beijinho de coco, camafeus de nozes, delícia pura. Até hoje ela faz camafeus para as festinha de família, e ainda faz muito sucesso.

Eu gosto muito dos brigadeiros da La Vie en Douce, da minha querida mestra, a chef patissière Carole Crema. Ela faz docinhos assim, com cara de antigamente, mas que continuam encantando todo mundo, adultos e crianças. Estes docinhos deliciosos aí da foto são da Carole, clique aqui para ver o site da La Vie en Douce (e babar de vontade!).

Como vou sair tarde do trabalho, não vai dar tempo de visitar a linda loja da Carole… Então vou preparar um brigadeiro bem simples, daqueles com achocolatado mesmo, para comer na panela, assim:

Misture 1 lata de leite condensado, 1 colher de manteiga, 4 colheres de achocolatado (ou 2 de chocolate em pó, mais forte e mais gostoso) e leve ao fogo, mexendo até dar o ponto, bem melecado e delicioso. Você vai saber! Depois, pode comer direto da panela ou, se tiver paciência (e tempo), enrolar um por um, com manteiga nas mãos para não grudar, e passar no melhor chocolate granulado que você conseguir.

Garante um bom começo de semana, aposto.

La Vie en Douce
Rua da Consolação, 3161, Jardins, São Paulo, SP
(11) 3088-7172

Todas as técnicas culinárias e mais a Nigella

Falei que gosto de livros, né? Gosto mesmo, e comecei o ano surtada, comprando vários livros de culinária e receitas. Acho que é saudade do curso, só pode ser! Ou uma vontade de chegar mais cedo em casa, de conseguir passar no mercado, de preparar o jantar todos os dias… Deve ser isso.

Pois esta semana, passeando pela Internet, encontrei dois livros com ótimos preços, e que eu queria já faz um tempão: Todas as técnicas culinárias do Cordon Bleu e Nigella Express.

O primeiro, rico em fotografias, traz variadas técnicas culinárias que você precisa saber, se ama cozinhar e adora uma novidade. Para mim, é uma ótima oportunidade de relembrar tudo o que aprendi em um ano no curso de chef da Wilma Kovesi, e aprofundar alguns temas que não se fixaram tão bem na memória, como a maneira de empregar aspic ou fazer um patê en croûte perfeito…

Já o livro da Nigella é uma doçura do começo ao fim… No sentido carinhoso, e não açucarado, da palavra. Muita gente critica a apresentadora inglesa, acusando-a de não lavar as mãos entre um prato e outro, ou de comer gororobas frias “roubadas” da geladeira no meio da noite… Mas eu gosto dela, e muito, porque ela parece, pra mim, uma mulher normal, e não uma heroína das panelas.

Às vezes ela está cansada, às vezes ela engorda, às vezes prepara biscoitos de chocolate para consolar uma amiga triste… Enquanto prepara uma pot pie, ela toma as lições de francês da filha, ou passa no mercadinho num fim de tarde, depois do trabalho, para comprar um bom naco de carne para fazer no jantar. A Fer, do blog Chucrute com Salsicha, me contou nos comentários que a Nigella é viúva (nas pesquisas, descobri que ela casou-se novamente). Eu não sabia, e fiquei um pouco triste por ela… Agora acho que ela parece mais ainda uma mulher normal, que poderia ser nossa amiga de anos e anos… Obrigada, Fer, por compartilhar a informação comigo!

Para ocasiões festivas e corriqueiras, e mais algumas outras, Nigella ensina uma receitinha rápida e, garante ela, apetitosa. Eu mal posso esperar para provar a torta de frango, cogumelo e bacon. Vou usar minhas tigelinhas brancas só para isso! 😉 Aqui tem a receita, mas está em inglês. E aqui tem um capítulo do livro, se você quiser provar.

Este post fora de hora me deu uma fominha… Acho que vou aproveitar o tempo feioso para fazer uma sopa. Quem sabe uma soupe au pistou?