Um pouquinho de Londres

Trabalhar com gastronomia, além de ser um prazer muito grande para mim, também me oferece algumas oportunidades bacanas vez em quando. Em junho deste ano, fui convidada para ir a Londres, na Inglaterra, para cobrir o festival Taste of London, para a revista Menu, onde trabalho como editora-assistente. O relato completo da minha visita está na Menu 141 (que está liiiinda, por sinal), e você pode ler minha matéria sobre Londres clicando aqui.

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Posso dizer que me surpreendi com o que vi na cidade, especialmente na gastronomia: alguns chefs estão redescobrindo a comida britânica tradicional, e mandando muitíssimo bem! Vejam lá e me digam o que acharam (se tiverem alguma dificuldade, me avisem que posto o texto por aqui).

Foram apenas 5 dias na cidade, mas gostei de tudo. Para começar, Londres é vibrante. MUITO vibrante. Tem coisa para fazer todo dia, toda hora, as ruas são lotadas de pessoas de todos os cantos do mundo. Tem bairro chinês, tem bairro gay, tem inúmeros restaurantes indianos, paquistaneses, japoneses, chineses, italianos, franceses… Tem pubs para provar a tradicional cozinha inglesa, como o onipresente fish and chips ou pratos variados com cordeiro, batatas, salsichas, linguiças, cogumelos… E as lojinhas e mercadinhos são imperdíveis para quem ama comer e beber, como eu.

É claro que, como autora de um livro sobre café da manhã, não podia deixar de experimentar os desjejuns londrinos! hehehehe! Do mais tradicional, com tomate assado, cogumelos, linguiças e ovos mexidos, até o delicioso café da manhã do hotel The Westbury, onde me hospedaram nos primeiros dias de viagem. O restaurante deles, o Artisan, é um primor, e o café da manhã não podia ser diferente: frutas frescas, sucos de frutas (tomei de grapefruit todos os dias, que amo muito), salmão selvagem defumado, pães quentinhos, torradas, geleias de Essex em potinhos, manteiga britânica de primeira qualidade, embrulhada individualmente… Tudo um luxo supremo. Gostei do que vi e do que experimentei. Nada mal para quem achava que a comida inglesa ia ser meia-boca… 😉

Uma coisa curiosa: os ingleses usam muito açúcar em cubos para adoçar suas bebidas. São cubos grandes, de açúcar mascavo ou branco, duros de mastigar, mas bons de sabor:

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Como disse, foram poucos dias para conhecer tudo, e muitos compromissos profissionais. Mas entre um compromisso e outro, eu visitava tudo o que estava ao meu alcance, principalmente os mercados e suas seções de comida. Nem preciso dizer que fiquei enlouquecida com a variedade de produtos, e trouxe para casa muito menos do que gostaria…. Hehehe!

Mesmo assim, consegui trazer biscoitos (acondicionados em latas lindas), temperos variados (como ras el hanout, bagas de junípero e folhas de lima kaffir), sal marinho, chocolates, geleia de grapefruit, biscoitos tipo shortbread, açúcares em formatos inusitados e, para meu marido, jujubas de milhares de sabores diferentes.

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No último dia, o verão parecia ter chegado com toda a força em Londres. Como teria o dia livre, tirei fotos para a revista e aproveitei para dar uma passadinha na Harrods, famosa loja de departamentos local. Entre os inúmeros corners de estilistas famosos, perfumes incríveis e maquiagens mil, me deparei com a Harrods Food e quase chorei de emoção. Nem na Galeria Lafayette Gourmet vi tanta variedade de comida junta! Eram biscoitos, queijos, presuntos, frutos do mar, frios, enlatados, chás, chocolates… Fora os restaurantes incríveis, as comidas prontas, os sanduíches… Fiquei enlouquecida com tanta coisa boa, mas estava meio lotado e eu precisava correr para o aeroporto.

Então, almocei na rua, finalizando minha breve passagem por Londres num… bistrô! 😀 Fui muito bem atendida pela dona, francesa, que está em Londres há um tempão e já adaptou um pouquinho da comida de seu país de origem para o gosto britânico. Mas sempre com um toquezinho francês, bien sûr. Comi uma espécie de brusqueta de entrada, com hambúrguer e batata frita de prato principal. Tudo acompanhado por uma taça de vinho tinto, claro.

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Minha sobremesa foi crème brûlée com raspberries (framboesas vermelhinhas e macias).

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Raspberries, aliás, estavam em plena temporada por lá. Numa das minhas idas aos mercadinhos locais, comprei raspberries fresquinhas, um pedaço de queijo feita e panquecas prontas para uma refeição leve e deliciosa. Era jogo do Brasil na Copa, um domingo, e optei por assistir sozinha, no conforto do hotelzinho em que me hospedei depois, com meu banquete improvisado. E foi bom demais! 🙂

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Foi corrido, mas valeu a viagem. Agora quero voltar para Londres e conhecer outros restaurantes, ficar mais um pouco na cidade, ver os museus, as livrarias, a vida cultural… Ano que vem, quem sabe? 😉

Abaixo, um pouquinho de Londres no verão: O Big Ben e o rio Tâmisa, a London Eye…

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Memória em cubinhos

Engraçado como a memória funciona. Temos algumas lembranças muito antigas, às quais dificilmente recorremos no dia-a-dia. No entanto, basta um cheiro, uma imagem, ou a passagem de um livro para trazer essas memórias à tona, como se tivessem acontecido ontem.

Lendo um livro para resenhar, me deparei, de repente, com uma passagem banal em que a autora citava o açúcar Pérola. De repente, como um raio, me vi criança novamente, com uns cinco anos de idade, fazendo um minibolo para dar de presente para meu pai, que havia viajado para o Rio de Janeiro, a trabalho. Um pouco surpresa, me dei conta de como até minhas memórias mais antigas têm a ver com comida!

E o que o açúcar Pérola tem a ver com isso? Bom, quando criança, eu adorava coisas em miniatura. Tomatinhos, bolinhos, docinhos, tudo o que pudesse caber em minhas mãos pequeninas. (A bem da verdade, até hoje gosto disso, daí minha paixão por cupcakes e docinhos de aniversário).

Então, entre outras coisinhas, meu pai me trouxe de presente um pacotinho mínimo com dois cubinhos de açúcar Pérola. Pensa o que é a emoção, para uma criança, mergulhar cubinhos de açúcar no chá? Foi a glória!

De lá para cá, mantive uma certa obsessão por cubinhos de açúcar, mas eram difíceis de achar. Hoje é possível encontrar esses cubinhos fabricados pela União, em São Paulo, em embalagens grandes, de plástico. Mas o açúcar Pérola em cubos vinha embalado em um papel fininho, dois a dois, como eu só vi novamente na minha primeira viagem a Paris, em 2002. Nem preciso dizer que virei criança de novo ao ver a embalagem com dois cubinhos de açúcar para acompanhar meu café…

A grande ironia dessa história é que meu pai acabou de se descobrir diabético. E eu, que sempre demonstrei meu afeto com bolinhos, docinhos, chocolates, sobremesas e que tais, agora não posso mais oferecer açúcar ao meu velho pai. Mas vou descobrir uma forma de cozinhar umas receitas bem bonitas e saudáveis para ele.

E deixar que as lembranças doces fiquem ali, num cantinho da memória, para serem acessadas e recontadas sempre. “Para não esquecer”, como dizia a Clarice.

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E por falar em memória, meu irmão virou blogueiro.  Em “É tudo grupo…”, Marcello conta as histórias divertidas (ou bizarras…) que aconteceram na nossa família desde meus bisavós. Ou o que a gente lembra das histórias dos nossos bisavós, com uma ajudinha dos pais, é claro! 🙂

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Em tempo: minha primeira revista Menu já está nas bancas e ficou linda de tudo. E a capa, de risotos, é minha. 😀 Contribuam com o orçamento familiar e deem uma espiada. Depois me digam o que acharam.

Eu (coração) gastronomia

No final de maio, comecei um novo trabalho, que só tem me trazido alegrias. Estou trabalhando na revista menu, escrevendo sobre gastronomia. Nem preciso dizer que era tudo o que eu queria, né?

Tudo é novo para mim, tão acostumada a trabalhar com internet desde sempre: a linguagem, o formato, a maneira de tratar os temas. Mas é um aprendizado que eu queria muito, e agora estou aqui.

O Guloseima permanece, é claro! Só fiquei mais distante do blog nessas últimas semanas porque foram muitas reviravoltas e precisei de um tempo para me adaptar a novos horários e rotinas e emoções.

Mas uma lição eu aprendi depois deste primeiro semestre atribulado: vale a pena lutar por aquilo em que acreditamos. Sempre e sempre.

Desejem-me sorte, amigos! E, claro, sugestões de pauta – para a revista e para o Guloseima – são sempre bem-vindas!