Eataly SP

O primeiro semestre de 2015 está agitado para a cena gastronômica de São Paulo, particularmente no quesito comida italiana. Em março, o chef britânico Jamie Oliver abriu seu Jamie’s Italian por aqui, no Itaim. E agora, nesta terça, 19 de maio, é a vez do Eataly inaugurar sua loja, igualmente no Itaim.

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O Eataly é uma espécie de megaempório focado em produtos de qualidade italianos. É um verdadeiro império, criado por Oscar Farinetti, com 29 lojas espalhadas pelo mundo – a primeira delas, em Turim, foi uma das inspirações para a unidade paulistana. A parte de mercado é forte, complementada por uma vasta oferta de restaurantes e pontos de alimentação. A expertise nessa área é dada pelo chef Mario Batali, um dos ícones da “famiglia” Eataly (ele esteve aqui para a apresentação da casa para a imprensa, mas não para a abertura oficial ao público).

Visitamos o Eataly na segunda-feira, dia 18, numa espécie de pré-estreia para convidados. Diferentemente da apresentação para a imprensa, alguns dias antes, desta vez era possível comprar a maioria dos itens expostos. E a quantidade de itens, diga-se, é de impressionar.

O prédio espelhado, de três pisos, fica no número 1.489 da Avenida Juscelino Kubitschek, com aquele trânsito velho conhecido do paulistano. É difícil chegar, é difícil sair, e isso sempre estressa. Mas, ao pisar no Eataly, a atmosfera muda: o ambiente é claro, com decoração leve, em que o destaque são mesmo os produtos; o clima é atencioso, sem ser esnobe; e há muita, muita, comida. Comida por toda parte!

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São laticínios, bebidas, vinhos, queijos, embutidos, massas frescas e secas, pizzas, chocolates, doces, sorvetes. Há uma bela padaria, de onde saem pães de fermentação natural – como o excelente de azeitonas verdes, ou o de nozes – e foccacias apetitosas. O açougue, limpo e muito claro, convida a experimentar cortes e preparos diferentes, como o giotto especiale – hambúrguer com crosta de castanhas. Os peixes, lustrosos, exalam frescor. Em gôndolas espalhadas pelo megaempório, há também frutas, verduras, legumes, farinhas, biscoitos, molhos, temperos, cogumelos, sais do mundo todo, azeites. E ainda: utensílios de cozinha, livros e até sabonetes e itens de perfumaria italianos. Ufa.

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Quer mais? Tem mais: sete restaurantes temáticos – Il Crudo (pratos de peixe cru e ostras), Le Verdure (pratos italianos vegetarianos), La Piazza (mozzarella, queijos, petiscos), La Carne (pratos para os carnívoros), Il Pesce (receitas com pescados), La Pasta (seleção de massas artesanais, frescas e secas) e La Pizza (como o nome indica, redondas no estilo italiano); e um restaurante com bar, exclusividade de São Paulo, o Brace Bar e Griglia, comandado pela chef Ligia Karasawa (ex-Clos de Tapas) – aqui, a especialidade são os ingredientes preparados na brasa (“brace” significa brasa, em italiano). Pensa que acabou por aí? Pois ainda tem cafeterias (Lavazza e Vergnano), sorveteria (Il Gelato di Venchi), pasticceria (La Pasticceria di Luca Montersino), chocolateria (Il Cioccolato Venchi), bar de sucos (Bar della Frutta) e um balcão de… Nutella. Sim, Nutella. Um combo para fazer qualquer um sair mais gordo de lá – e mais pobre, certamente.

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Verdade seja dita: os preços são altos, como em qualquer empório de luxo. Se visitar o Eataly, prepare-se para gastar. Mas nem tudo é proibitivo. Os pães são um bom exemplo: um pão de casca grossa, de fermentação natural, com azeitonas verdes, custa R$ 32 o quilo. Uma unidade, de pouco mais de meio quilo, saiu por R$ 18,05. Caro? Sim. Mas, extremamente saboroso, bem-feito, bem fermentado, não se compara aos (também caros) pães de padarias convencionais. É para todos os dias? Não, a menos que você seja um sortudo abonado.

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O interessante é que um lugar como o Eataly reúne centenas de produtos das mais variadas categorias, e produtos realmente bons – pelo menos, a maior parte deles. Nem tudo é importado, tem muitos itens nacionais de altíssima qualidade, como os cafés da Martins ou os chocolates Amma. É um lugar para comprar itens especiais. Quer pancetta fresca? Lá tem. Gianduia italiano autêntico? Também tem. Prosciutto crudo San Danielle? Este é o lugar. E, ao mesmo tempo, tem chuchu a R$ 1,99 o quilo, morangos importados a R$ 19,90 a bandeja e caríssimas castanhas-de-caju a R$ 40 o pote.

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As dimensões do lugar impressionam. Tem tudo para se tornar um marco gastronômico de São Paulo, especialmente se mantiver o bom atendimento dessa pré-estreia.
Certamente, o Eataly não é o lugar para fazer as compras do mês. Mas é um lugar para sonhar.

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Estas são nossas impressões da pré-estreia, ou seja: ainda voltaremos lá para provar os restaurantes e fazer novas compras, desta vez sem convite.

Por enquanto, ressaltamos:

Pontos fortes:

– Grande oferta de produtos frescos, de qualidade, com preços variados.
– Reúne, em um só lugar, diversos tipos de comidas e bebidas, desde os itens mais básicos, como verduras e legumes, até os mais exóticos, como sais importados de diferentes países.
– O espaço amplo permite andar pelos corredores sem grandes atropelos, e as inúmeras opções de restaurantes convidam a desfrutar de refeições menos formais – a menos que você vá ao Brace, pensado justamente para oferecer almoços e jantares à la carte.

Pontos fracos:

– A localização, em pleno burburinho do Itaim, é um convite ao trânsito. E, dadas as dimensões do negócio, tende a tornar o trânsito ainda mais caótico.
– Na nossa primeira visita, a música estava alta demais, atrapalhando a conversa – talvez pelo clima de “balada” da pré-estreia.
– Embora haja produtos com custo-benefício interessante, alguns preços estavam meio fora de propósito, como castanhas de caju a R$ 40.

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Eataly Brasil
Avenida Juscelino Kubitschek, 1.489, Itaim, São Paulo, SP
https://www.facebook.com/eatalybrasil

A busca às origens

Fico feliz demais quando vejo iniciativas como este prêmio Tastemakers 2012 da revista Bon Appétit, de homenagear pessoas que fazem a diferença na gastronomia – não só os chefs e autores badalados, mas o cara que faz queijo artesanal, a moça que se dedica a cultivar ervas, o amigo que tem um açougue com cortes e carnes especiais… Os produtores, grandes e pequenos, enfim.

E fico mais feliz ainda de ver que os brasileiros estão despertando para isso também. Neste fim de semana, o chef José Barattino, do Hotel Emiliano, em São Paulo, encabeçou a segunda edição de seu Market Day. Fui ao primeiro, em 2010, e neste domingo fiquei surpresa de ver como a ação cresceu, atraiu mais gente, começou a aproximar, de fato, o público dos produtores. Estavam lá desde marcas consagradas, como a deliciosa Valrhona, de chocolates megafinos (e incríveis, diga-se), até produtores menores, como a cervejaria Karavelle, de Indaiatuba (SP), e o pessoal bacana do Empório Poitara, mostrando ervas, frutas e sementes da Amazônia, ainda tão desconhecida para nós aqui do sul. Falando nisso, só a Amazônia já vale um post separado!

A ideia do chef Barattino, aliás, é justamente esta: aproximar o cliente do produtor para mostrar ao público a importância de se respeitar as estações, de fazer um trabalho benfeito, com produtos de qualidade, sem aquela loucura toda de  “ah, temos que servir morangos o ano inteiro”. Ora, não tem morango o ano inteiro! Percebe?

Trabalhando numa revista grande de gastronomia, como a Gula, estou sempre pensando em como fazer esse trabalho de aproximação também. Em especial, tenho um olhar crítico para receitas e ingredientes. Adoro quando pego um livro de receitas gringo, por exemplo. Mas fico triste quando vejo que, dentre os ingredientes, vemos uma enxurrada de opções que mais valem para a Europa do que para nós. Custava manter as receitas no original, claro, e sugerir substituições por ingredientes mais fáceis de achar por aqui, ou simplesmente mais típicos?

Ou melhor: vamos escrever mais livros sobre a nossa cozinha, que é tão absurdamente linda, rica, variada? Eu topo! o/

Também gostaria que a gente começasse a criar mais o hábito de perceber o que está ao nosso redor, valorizar as boas ações. Conhecer o comércio do bairro, pedir para saber de onde vêm os produtos, fazer compras menores e mais certeiras, desperdiçar menos.

Este é um dos meus desafios para 2012, aliás: desperdiçar menos, pouco, quase nada. Seja comida, seja meu precioso, e escasso, tempo.

E aproveitar mais o meu entorno, ocupar meu bairro, minha casa, minha vida. E se eu puder contribuir, um pouquinho que seja, com meu quinhão para a gastronomia, ficarei feliz, feliz. 🙂 Como já estou, aliás.

Chef Barattino promete que logo tem mais Market Day, vamos aguardar!

Delícias de SP

São Paulo, capital. A cidade em que nasci. A cidade que amparou meus primeiros passos e beijos, os tombos de bicicleta, as corridas e brincadeiras de pular corda na rua, as mágoas que eu achei que nunca iam passar, os meus trabalhos, as minhas cozinhas, o meu amor. Minha cidade, meu pequeno país.

É claro que eu poderia falar aqui de um monte de lugares que adoro na cidade, como o Museu do Ipiranga, a avenida Paulista, o meu bairro de Pinheiros. Mas como a comida é sempre o primeiro assunto que toca meu coração, não tenho como fugir do óbvio: selecionar, pela lembrança e pelo carinho, as comidinhas que primeiro me vêm à cabeça quando tenho fome nesta cidade enorme. São muitas, claro. E uma lista como esta é sempre injusta. Mas aqui o voto é de memória, sim: a minha. Confira o que eu mais gosto de comer em São Paulo! Continue lendo “Delícias de SP”

Canto Madalena

Fim de ano chegando e, com ele, mil e um compromissos: festa da ‘firma’, amigo secreto, reuniões para rever os amigos mais queridos, preparações para viagens e, claro, plantão de réveillon. Quem mandou ser jornalista? 😉

Mas, apesar da correria, eu adoro esta época do ano. Fico mais feliz, sempre. Gosto do Natal, gosto de comemorar o Ano Novo, mesmo que eu tenha de trabalhar. É o espírito de novidade que me move.

Quer uma sugestão de boteco bacana para celebrar com os amigos? O Canto Madalena! É charmoso, com uma decoração que lembra um brechó: geladeiras antigas, antigüidades, mesas de madeira escura, cadeiras diferentes, toalhas de chita com rendinhas na ponta… E cachaças ótimas:

Canto Madalena

Fica na Rua Medeiros de Albuquerque, 471, na Vila Madalena (SP). O telefone de lá é (11) 3813-6814, se você quiser fazer reserva antes.

Além das cachaças ótimas, o boteco tem comidinhas que não deixam nada a desejar. Destaque para os pastéis de camarão, sequinhos, e para o escondidinho. A caipirinha de morango com vodka também é uma delícia!

E como a casa é grande e espaçosa, dá para juntar uma turma volumosa que a festa continua boa! Este ano comemorei meu aniversário lá, e não tive nenhum problema, apesar de ter juntado umas 20 mesas!