A vida se adapta

A gente caminha, aprende coisas novas sempre e o que fica disso é que a vida se adapta. Para melhor! Boas novas da nutricionista: com carinho, olho na dieta e uso da enzima lactase, é possível viver uma vida absolutamente normal – podendo, inclusive, voltar a consumir produtos com lactose, em pequenas quantidades. É nisso que estou focando, visualizando.

Hoje, o que busco como mais importante é qualidade de vida, em todos os aspectos. Comprar marcas nas quais confio, produtos com os quais me identifico, valorizar o trabalho de quem se esforça para, todos os dias, manter as bancas e prateleiras de feiras e mercados abastecidos com ingredientes de qualidade.

O mais divertido desse meu novo processo é que, aberta uma porta da percepção, outras se abrem também. E a gente nota que o mundo é muito mais amplo, vasto e menos restritivo do que imaginamos. Filósofa, eu? De forma nenhuma. Apenas aprendendo a valorizar as coisas pequenas da vida, boas conversas, uma paisagem bonita, a preciosa saúde.

Continuo de olho nos produtos sem lactose, mas parei de ser obsessiva quanto a isso. Simplesmente, provo e vejo se me adapto ou não. Para minha surpresa, alguns produtos com adoçantes têm ótimo sabor – só não abuso, por não ser o meu costume consumir adoçantes artificiais. É o caso dos chocolates que mencionei no post anterior. Todos têm paladar caprichado, então, no meu caso, é só não abusar. Em termos de chocolate, ainda prefiro os bem amargos, com ou sem castanhas, dos mais fáceis de encontrar aos mais cheios de requintes. Com um pouco de lactase para ajudar, a vida segue tranquila – eles só contêm traços de lactose, e isso já é um facilitador natural.

E com isso a cozinha também se amplia, dá gosto cozinhar sem traumas, apenas pela experiência, pela vontade de fazer algo diferente, quem sabe que ajude a melhorar a vida de alguém depois. Estou nesta fase agora: feliz por conseguir me adaptar, pouco a pouco, a esta limitação da IL que estou torcendo (e lutando para) ser passageira. 🙂 Enquanto isso, os testes na cozinha continuam, a casa se aquece, o coração volta a ter esperança. Que os bons ventos soprem, todos os dias, para mim e para você.

PS: com a Primavera chegando, a vontade de cozinhar fica ainda maior! Qual é o ingrediente ou o marco que te lembra esta época do ano? O meu são os ipês. Sair na rua e ver aquelas árvores magrelinhas pontilhadas de flores amarelas me deixa muito, muito feliz. Mais um ciclo começando!

A despensa da intolerante

Já contei aqui que descobri recentemente ser intolerante à lactose. O primeiro passo foi (parar de chorar e) adaptar as comidinhas do dia a dia. O café da manhã, o almoço na rua, os jantares em casa. Foi assim que descobri que costumava cozinhar com um monte de produtos lácteos, apesar de não tomar leite puro há anos. Era um chocolate para brownie aqui, um filé na manteiga ali, tortas amanteigadas, queijos em abundância no macarrão… Assim, amigos, não tem jeito: para quem é top intolerante, como eu, a conta sai cara para a saúde. Mas como é que eu ia saber, né? Mais de uma década me tratando em gastros e afins e só o meu médico atual pediu o exame de lactose…

Mas enfim. Daí que a fase dois consiste em fazer a limpa na despensa, ou seja, usar (e doar) tudo aquilo que eu comia outrora, mas que a partir de agora só fazendo uso de lactase, e olhe lá! Remexendo a despensa/geladeira, descobri pacotes fechados de manteiga, barras de chocolate, misturas prontas para cookies/panquecas com lactose na receita, creme de leite, leite condensado, docinhos à base de leite, litros de leite de cabra, etc. Tudo delicioso mas, por ora, proibido. Alguns – como os leites de cabra – eu vou aproveitar para fazer kefir. Estou pesquisando o consumo desse leite fermentado caseiro por quem tem intolerância à lactose, se funcionar, conto aqui. Mas, adiantando, o kefir é um leite fermentado com teores muito baixos de lactose, além de conter enzimas que ajudam a quebrar esse açúcar restante. Se funcionar, será lindo. Se não funcionar, vou fazer kefir de água e ser feliz do mesmo jeito – o que importa é dar aquela força probiótica ao organismo, em forma de uma bebida refrescante e agradável.

A falta que o chocolate faz…

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Chocolates sem lactose: a busca continua. Foto: Luciana Mastrorosa/Guloseima


Incrível como cada um sente falta específica de alguma comida ao descobrir a IL (já estou até íntima do termo, ai, ai). Lendo blogs de outros intolerantes, como este aqui, descubro que alguns sofreram por deixar de consumir o leite puro, outros sentem falta de pizza cheia de queijos, de molho branco. Para mim, o difícil DE VERDADE é deixar de comer chocolate. Chocolate bom, daqueles que derretem na boca, daqueles feitos apenas com cacau, manteiga de cacau, um mínimo de açúcar. E olha: eu sempre adorei qualquer tipo de chocolate, e os amargos eram top favoritos. Mas, para minha tristeza, até as marcas premium tipo Callebaut e Lindt fazem chocolates beeeem amargos, só que com o aviso inevitável de “pode conter traços de leite”.

Para amenizar as primeiras semanas de adaptação, foquei em encontrar apenas chocolates sem lactose, feitos de soja ou com enzima adicionada. Nova surpresa: a maioria é adoçada com edulcorantes artificiais. A intolerância à lactose causa, como um dos principais sintomas, diarréia. E esses adoçantes podem soltar o intestino, então… Não se pode abusar.

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Tablete Zero Lactose, da Cacau Show: campeão até agora. Foto: Luciana Mastrorosa/Guloseima

Agora voltando às descobertas: um chocolate sem lactose de fato me agradou 100%, uma barra meio amarga, de chocolate puro, pouco doce, sem edulcorantes. Essa barra de chocolate faz parte da linha Zero da Cacau Show, pode ser encontrada nas lojas da marca e custa menos de 10 reais uma barra de 100 gramas (em São Paulo, paguei 8,90 reais). Achei justo e me emocionei de verdade. A atendente foi super simpática e me avisou que eles fazem também língua de gato sem lactose – só não tinham naquele dia porque, segundo ela, a “procura é muito grande.” Ah, esses tabletes da Cacau Show também não têm glúten.

Também provei o chocolate da Nestlé Classic zero açúcar, zero lactose (o preço é bom: 2,30 reais) com bom sabor do cacau, mordida ótima, mas um pouco de sabor residual de adoçante. É para aqueles dias que queremos um chocolate bem amarguinho, do jeito que eu gosto. No dia a dia, os chocolates ChocoSoy, da Olvebra, quebram um galho, mas muitos também têm os edulcorantes artificiais, então prefiro evitar. As bolinhas crocantes dessa linha são boas.

Antes que alguém me acuse de chata, eu explico a minha implicância com os adoçantes artificiais: descobrir a IL aos 34 anos me rendeu uma gastrite e uma colite ulcerativa que já duram 12 anos. Sim, mais de uma década. Por isso, dou um VIVA! às marcas que comercializam produtos especiais com o mínimo de interferência possível. Aqui, vale mencionar que também amo café, mas tenho de tomar essa bebida com cuidado, apenas os melhores e mais bem manipulados, especialmente os arábicas. Agradeço, então, publicamente, às empresas de café especial que fazem excelentes produtos, descafeinados ou não. A Nespresso está de parabéns pelo Decaffeinato, a cápsula vermelhinha não sai mais da minha despensa. Também adoro os cafés da Isabela Raposeiras, do Coffee Lab, sempre cuidadosamente torrados para extrair o melhor em aroma e sabor.

E assim vamos nós, vivendo e aprendendo.

* Em tempo: se você tiver dicas de chocolates sem lactose, fique à vontade para deixar um comentário ou mandar um email. Ficarei grata de trocar figurinhas com outros IL pelo mundo. 🙂

* Em tempo 2: este post NÃO é um publieditorial. Faço resenhas de produtos que compro e meus comentários servem apenas ao propósito de trocar informações sobre eles. Vale lembrar que qualquer opinião expressa neste blog NÃO invalida uma consulta com profissional especializado. Na dúvida, procure sempre um médico ou nutricionista.